RIBEIRÃO PRETO — Ângela Maria dos Santos Silva criticou a condenação do empresário Elieser de Fraga Silveira pelo atropelamento que matou seu filho, o entregador de comida Régis Antonillo. Para ela, a pena em regime semiaberto é insuficiente e a decisão deveria estabelecer uma punição mais rigorosa.
"Foi uma coisa muito injusta, porque ele deveria pegar muito mais tempo, não em regime semiaberto, mas sim fechado", afirmou Ângela, cuidadora de crianças.
O acidente ocorreu na noite de 16 de março de 2025, no quilômetro 315 do Anel Viário Sul, na Rodovia Prefeito Antônio Duarte Nogueira, próximo ao acesso para o Jardim Nova Aliança. Após a colisão entre o carro e a moto, o motociclista foi arrastado por 110 metros, caiu na pista e foi atingido na sequência por outros dois automóveis.
Segundo o relato do caso, Elieser deixou o local sem prestar socorro com a moto presa ao para-choque do carro. O veículo foi arrastado por sete quilômetros, até se desprender na pista marginal da Rodovia Antônio Machado Sant'Anna. Testemunhas disseram que o motorista fez zigue-zagues na tentativa de soltar a motocicleta.
A sentença do juiz José Otávio Ramos Barion considerou a fuga, a falta de socorro e a ocultação do veículo danificado em um galpão. Além da prisão em regime semiaberto, a decisão suspendeu o direito de dirigir por oito meses e determinou o pagamento de R$ 30 mil à família de Régis por danos morais. Como a sentença não determinou prisão preventiva, o empresário pode recorrer em liberdade.
A defesa informou que vai recorrer parcialmente da condenação por homicídio culposo. O advogado Júlio Mossin sustenta que a morte foi causada pelos atropelamentos posteriores, e não pelo impacto inicial. "A prova que eu tenho, inclusive por imagens e depoimentos, é que outros carros passaram por cima da vítima e ocasionaram exclusivamente a sua morte", disse.
O recurso também contestará a indenização. A defesa afirma que não há previsão legal para a cobrança de reparação civil no âmbito do Código de Processo Penal. Segundo Mossin, Elieser tentou intermediar contato, por meio de uma pessoa de confiança, para oferecer assistência à família, mas não recebeu retorno.
Ângela disse que Régis deixou uma filha adolescente e que a ausência dele alterou a rotina da família. Ela também afirmou que nunca viu o empresário e contestou a alegação de que ele tentou procurá-la para oferecer ajuda.


