A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) condenou nesta terça-feira (8) Daniel Vorcaro a pagar multa de R$ 20 milhões por irregularidades na gestão do fundo imobiliário Brazil Realty. Esta é a primeira condenação do ex-banqueiro na autarquia.
Ao todo, oito pessoas e nove empresas foram responsabilizadas. As multas aplicadas por fraude somam R$ 201 milhões. As decisões foram aprovadas por unanimidade pelos quatro diretores da CVM, e os condenados podem recorrer ao Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional.
Valores das multas
O Banco Master, liquidado pelo Banco Central, recebeu multa de R$ 12,5 milhões. A Entre Investimentos foi condenada a pagar R$ 10 milhões, enquanto seu proprietário, Antônio Freixo Junior, deverá pagar R$ 5 milhões.
Henrique Vorcaro, pai de Daniel, foi multado em R$ 20 milhões. Felipe Vorcaro, primo do ex-banqueiro, recebeu multa de R$ 5 milhões. Henrique não enviou advogado ao julgamento. A defesa de Felipe pediu o adiamento da sessão, alegando que assumiu o caso recentemente e só teve acesso aos autos na semana passada.
As defesas de alguns acusados também pediram o reconhecimento da prescrição, porque o processo começou em 2020 e foi julgado apenas nesta terça-feira (8). A defesa de Vorcaro afirmou que não havia provas individualizadas de conduta ilegal. “Não há provas nesse sentido”, disse Ana Paula Casagrande, advogada do ex-banqueiro, durante o julgamento.
Como funcionaria o esquema
Segundo a CVM, o esquema envolvia a elevação artificial do valor de imóveis e ativos do fundo com laudos falsificados ou inconsistentes. Também teria havido simulação de liquidez das cotas no mercado secundário para atrair investidores.
A investigação analisou a terceira emissão de cotas do Brazil Realty, que recebeu aportes de R$ 139,1 milhões. A maior parte do valor teria sido direcionada a ativos físicos com preços inflados.
A Talent Construções subscreveu R$ 28,6 milhões em cotas mediante a entrega de ações da Brazil Realty Empreendimentos. A empresa possuía um imóvel em Nova Lima (MG), cujo valor teria sido elevado de R$ 7,1 milhões para R$ 70,8 milhões.
A Espaço Engenharia e Construção integralizou R$ 10,3 milhões com 50 lotes no Balneário Água Limpa, também em Nova Lima (MG). Os terrenos foram avaliados em R$ 207,5 milhões, mas a investigação da CVM calculou o valor em R$ 6,5 milhões.
A Milo Investimentos subscreveu R$ 70 milhões em cotas da sociedade MGI, que tinha um imóvel em Contagem (MG). A CVM apontou sobreavaliação de R$ 56 milhões porque o laudo considerou uma participação maior da empresa no imóvel. As três empresas e seus responsáveis receberam multas entre R$ 5 milhões e R$ 20 milhões.
De acordo com as investigações, empresas ligadas a Vorcaro, entre elas a Entre Investimentos e a Viking Participações, compravam cotas para criar liquidez artificial. Outros investidores adquiriam os papéis acreditando no valor inflado, enquanto os responsáveis pelo esquema depois se desfaziam de suas posições. Os compradores teriam tido prejuízo de R$ 5,8 milhões.
O Banco Master e outras instituições do conglomerado causaram impacto de mais de R$ 57 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que cobre investimentos de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ.
Vorcaro foi preso pela primeira vez em novembro de 2025 pela Polícia Federal, na Operação Compliance Zero. O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central no mesmo dia. Ele foi solto ainda em novembro com tornozeleira eletrônica e preso novamente em março deste ano, sob suspeita de manter milícia privada para coagir e ameaçar desafetos.



