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Hongbin Li: tarifas não devem frear avanço industrial da China

Economista afirma que a concorrência interna impulsiona empresas chinesas e prevê mais vendas e investimentos em mercados emergentes, como o Brasil.

Hongbin Li: tarifas não devem frear avanço industrial da China
Foto: Divulgação

As tarifas impostas pelos Estados Unidos e pela União Europeia não devem conter o avanço industrial e tecnológico da China, segundo o economista chinês Hongbin Li, professor da Universidade Stanford. Para ele, a liderança chinesa em setores como o de veículos elétricos resulta principalmente da forte concorrência entre empresas do país, e não apenas de subsídios estatais.

Li esteve em São Paulo entre os dias 19 e 21 de agosto para participar do Encontro Anual de Líderes da Fundação Estudar. Ele é ex-professor da Universidade Tsinghua, codiretor do Stanford Center on China’s Economy and Institutions e autor de um livro sobre o Gaokao, o exame nacional de admissão ao ensino superior chinês.

Concorrência e excesso de produção

Na avaliação do economista, as autoridades locais chinesas são estimuladas pelo governo central a disputar metas de crescimento econômico. Esse modelo faz com que elas atuem na atração de investimentos e na promoção de negócios privados, como empreendedores, segundo Li.

O sistema também produz problemas, porque a busca por crescimento pode deixar em segundo plano questões como desigualdade e meio ambiente. Ainda assim, o crescimento permanece no centro da avaliação das autoridades públicas locais.

Li usa o mercado de veículos elétricos como exemplo. Existem 500 empresas do setor na China, e muitas cidades têm fábricas. A competição aumenta a produção, mas o consumo interno não absorve tudo o que é fabricado. Por isso, as empresas procuram vender no exterior.

Para o economista, muitas dessas companhias não vão sobreviver, mas as que permanecerem tendem a ser as mais competitivas. A pressão para reduzir custos ajuda a explicar a produção de veículos funcionais, bem desenhados e baratos. O mesmo ambiente, segundo ele, pode favorecer o surgimento de novas tecnologias, principalmente na manufatura.

As tarifas, na visão de Li, protegem setores menos eficientes nas economias ocidentais sem alterar a dinâmica do mercado. A alternativa seria ampliar a integração produtiva. Ele citou o caso da China, que na década de 1980 ainda não tinha fábricas de automóveis e permitiu a entrada de companhias estrangeiras.

A Volkswagen levou para o país a produção do modelo Santana. Hoje, empresas alemãs querem desenvolver empreendimentos na China com tecnologia chinesa para fabricar veículos elétricos destinados ao mercado local, mantendo competitividade e aprendendo com a indústria do país.

Emprego e consumo doméstico

A China transferiu trabalhadores da agricultura para a manufatura ao longo das últimas quatro ou cinco décadas. O problema atual, segundo Li, é que as fábricas não contratam tantas pessoas como antes, devido à automação.

O economista afirma ter visitado mais de mil fábricas e relata que, nos anos 1990, uma cidade com cerca de 300 mil habitantes concentrava a produção de armações de óculos e tinha clínicas para tratar ferimentos nos dedos causados por máquinas. Atualmente, segundo ele, as mesmas fábricas funcionam com máquinas e pouca presença humana.

A automação tende a dificultar a criação de empregos de baixa habilidade. As vagas passam a exigir maior qualificação, como no caso de engenheiros responsáveis pela operação dos equipamentos. O setor de serviços absorve parte da mão de obra, mas também começa a utilizar máquinas, inclusive para entregas de alimentos em hotéis.

Esse cenário pressiona a criação de empregos e de renda para a população pobre e ajuda a explicar por que o consumo doméstico é um dos principais desafios da economia chinesa. Enquanto a produção é forte, o consumo permanece fraco.

O papel do Gaokao

O Gaokao é realizado aos 18 anos, depois de 12 anos de educação formal. Cerca de 15 milhões de estudantes fazem o exame a cada ano. O ensino superior chinês reúne cerca de 30 milhões de alunos em matrículas e cursos, aproximadamente metade dos estudantes universitários do mundo.

O exame foi instituído nos anos 1950 por Mao Tsé-Tung, mas deriva do Keju, exame imperial criado há cerca de 1.400 anos, durante a Dinastia Sui. Na origem, o sistema servia para selecionar funcionários públicos e reduzir o poder de famílias locais, além de promover mobilidade social e estabilidade política.

Para Li, essa estrutura ajuda a compreender a competição presente na sociedade e na economia chinesas. O crescimento econômico do país foi de cerca de 10% por 30 anos e hoje está em 5%, segundo o economista. A expectativa é que as restrições ocidentais levem empresas chinesas a ampliar vendas e investimentos produtivos em mercados emergentes, incluindo o Brasil.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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