A maior parte da verba pública destinada às campanhas para deputado federal está concentrada em uma parcela pequena dos candidatos. Dos 7.700 concorrentes ao cargo, 579 — equivalentes a 7,4% do total — receberam mais de R$ 1,58 milhão cada. Juntos, eles somaram R$ 1,36 bilhão, metade dos R$ 2,76 bilhões transferidos pelos partidos, conforme a prestação parcial de contas ao TSE, cujo prazo terminou no domingo (13).
O valor de R$ 1,58 milhão corresponde à metade do limite individual de gastos para deputado federal, fixado em R$ 3,17 milhões. A concentração também aparece entre os 11,7 mil candidatos a deputado estadual e distrital. Eles receberam R$ 1,1 bilhão, mas apenas 388 concorrentes, ou 3%, tiveram acesso a mais de R$ 635 mil — metade do teto de R$ 1,27 milhão.
Distribuição por partido e candidatos
Entre os 579 candidatos que concentram metade dos recursos para deputado federal, há nomes de 19 partidos. O União Brasil reúne 88 deles, seguido pelo PL, com 80, e pelo PT, com 79.
A maior transferência individual foi para Rosana Valle (PL-SP), candidata à reeleição para a Câmara dos Deputados. Ela recebeu R$ 3,24 milhões: R$ 3,17 milhões da direção nacional do PL, R$ 50,8 mil da direção paulista e R$ 20 mil da direção municipal de Santos.
Daniela do Waguinho (Republicanos), também candidata à reeleição, aparece em seguida, com R$ 3,17 milhões. O PL ainda transferiu mais de R$ 3 milhões para Marcelo Moraes (RS), Coronel Meira (PE), Giovani Cherini (RS), Bibo Nunes (RS) e Osmar Terra (RS).
Na outra ponta, Shanisys (PR), que disputa uma vaga na Câmara pela primeira vez, recebeu R$ 1.430, o menor valor entre os candidatos citados. Entre os candidatos a deputado estadual e distrital, Professor Cláudio Branchieri (PL-RS), Olívia Motta (Republicanos-PB), Kaio Maniçoba (PP-PE), Maurício Scalco (PL-RS) e Kelly Moraes (PL-RS) empataram no maior valor, com R$ 1,27 milhão cada.
Fundos públicos nas eleições
Desde a proibição das doações empresariais, em 2015, os recursos públicos se tornaram a principal fonte de financiamento das candidaturas. Os partidos têm R$ 4,96 bilhões do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) para distribuir entre os cargos, além do fundo partidário.
PL e PT receberam as maiores parcelas do FEFC, com R$ 881,6 milhões e R$ 615,3 milhões, respectivamente. O União Brasil ficou com R$ 526,2 milhões. Embora as 30 legendas recebam uma parcela mínima, a maior parte do fundo é distribuída conforme a votação da eleição anterior e a representação no Congresso.
Considerando todos os cargos, os candidatos declararam R$ 5,3 bilhões. Mais de 85% vieram do fundo especial, o equivalente a R$ 4,5 bilhões. O fundo partidário respondeu por R$ 297 milhões, ou 5%, enquanto outros recursos somaram R$ 478 milhões, ou 9%. Nessa última categoria estão doações de pessoas físicas, financiamento coletivo e recursos próprios.
Os candidatos à Presidência declararam R$ 90,6 milhões em recursos públicos. Flávio Bolsonaro (PL) recebeu R$ 42 milhões da direção nacional do partido, por meio do fundo especial, e R$ 2.000 da direção estadual do PL Amazonas, via fundo partidário. Lula (PT) recebeu R$ 40 milhões da direção nacional do PT e R$ 150 mil da mesma direção por meio do fundo partidário.
Para o governo dos estados, os fundos públicos somaram R$ 430 milhões destinados a 125 candidatos. Douglas Ruas (PL) recebeu R$ 17,7 milhões e liderou a lista, seguido por Eduardo Paes (PSD), com R$ 16,6 milhões. Fernando Haddad (PT) recebeu R$ 16 milhões, Alexandre Kalil (PDT), R$ 14 milhões, e Raquel Lyra (PSD), R$ 11,8 milhões.
Entre os candidatos ao Senado, Simone Tebet (PSB-SP) liderou, com R$ 6,5 milhões. André do Prado (PL-SP) e Geraldo Rufino (Podemos-SP) receberam R$ 6 milhões cada, enquanto Guilherme Derrite (PP-SP) teve R$ 5,85 milhões. Marília Campos (PT-MG) e Benedita da Silva (PT-RJ) receberam R$ 5,3 milhões cada.



