SÃO PAULO — Vinte dos 107 candidatos que informaram ser transgêneros nas eleições de 2026 disputam cargos por partidos classificados como de centro ou de direita. A maioria das candidaturas está em legendas de esquerda, mas a declaração de identidade de gênero não é obrigatória no registro eleitoral, o que pode fazer com que o total seja maior.
Entre os partidos de centro e direita, o PSDB concentra seis candidaturas trans. MDB tem quatro, enquanto Avante, Solidariedade e PP (Progressistas) registram dois candidatos cada. Cidadania, União Brasil, PRD e Democrata aparecem com uma candidatura cada.
A classificação ideológica das siglas foi feita com base no GPS Partidário, que posiciona os partidos brasileiros entre a esquerda e a direita a partir da atuação prática na política.
Candidatas em partidos de centro e direita
Sophia Barclay concorre a deputada federal pelo PL de São Paulo. A campanha não informou ao TSE sua identidade de gênero, embora ela se apresente nas redes como “trans de direita antiwoke”.
“Não foi uma escolha minha [não declarar a identidade de gênero]. Nem me questionei sobre isso, e também não é relevante ter essa informação lá”, afirmou Barclay.
Leo Krét do Brasil disputa uma vaga na Câmara dos Deputados pelo União Brasil. Baiana, foi eleita em 2008 a primeira vereadora trans de Salvador, pelo PR, partido que deixou de existir em 2019 e deu origem ao PL. Ela afirma se identificar com o centro e diz que sua campanha prioriza projetos sociais de esporte, saúde e defesa dos direitos LGBTQIA+.
Gilvan Masferrer concorre a deputada federal pelo PSDB de Minas Gerais. Em sua terceira eleição, foi vereadora pelo DC em Uberlândia em 2020. Nas eleições de 2024, tentou uma vaga na Câmara Municipal pelo PSB, mas não foi eleita. Masferrer diz que está satisfeita no PSDB e que faltaram recursos do PSB em sua campanha anterior.
Para Giulia Gouveia, pesquisadora do Laboratório de Partidos, Eleições e Política Comparada da UFRRJ, a presença de pessoas trans em partidos de direita não é necessariamente contraditória. Segundo ela, as legendas reúnem grupos, lideranças e candidatos com posições diferentes. A pesquisadora também afirma que a identidade de uma pessoa candidata não permite presumir suas prioridades políticas.
Distribuição das candidaturas
O PSOL lidera entre os partidos, com 39 candidatos trans. Depois aparecem PT, com 16, e PDT, com 15. Em 2022, a Câmara elegeu pela primeira vez duas mulheres trans: Erika Hilton, do PSOL-SP, e Duda Salabert, do PSOL-MG. As duas tentam a reeleição em 2026.
As candidaturas estão concentradas em cargos legislativos: 53 disputam vagas de deputado estadual e 50 concorrem a deputado federal. Há ainda dois candidatos a deputado distrital e duas candidaturas a vice-governador.
São Paulo tem o maior número de candidatos trans, com 12, seguido pelo Rio Grande do Sul, com 10. Ceará e Minas Gerais aparecem empatados, com nove cada.
Os dados sobre identidade de gênero são divulgados pelo TSE pela segunda vez. O tribunal começou a coletar essa informação nas eleições municipais de 2024. A Antra (Associação Nacional de Travestis e Transexuais) contabilizou 116 candidaturas trans em 2026, considerando registros eleitorais e outras fontes.



