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Política

Segurança pública chega a 2026 com crime organizado mais complexo e velhos gargalos

Próximo presidente terá de enfrentar crimes digitais e financeiros enquanto persistem falhas de investigação, integração policial e sistema prisional.

Segurança pública chega a 2026 com crime organizado mais complexo e velhos gargalos
Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress

O próximo presidente terá de enfrentar uma combinação de problemas antigos e novos na segurança pública. Enquanto o crime organizado avança sobre mercados legais, o sistema financeiro e o ambiente digital, o país ainda convive com baixa capacidade de investigação, polícias pouco integradas, presídios superlotados e áreas onde o Estado não exerce plenamente sua autoridade.

A segurança pública aparece entre as áreas que mais preocupam os eleitores brasileiros e chega às eleições de 2026 em uma encruzilhada. Estratégias voltadas ao crime de rua não são suficientes para lidar com fraudes digitais, lavagem de dinheiro, infiltração de facções em atividades legais, maior circulação de armas e redes criminosas que atravessam estados e países.

Falta de integração

A ausência de um sistema integrado é apontada como um dos principais entraves. O Sistema Único de Segurança Pública, criado em 2018, não produziu a transformação esperada, segundo Renato Sérgio de Lima, diretor-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Para Melina Risso, diretora de pesquisa do Instituto Igarapé, as polícias continuam divididas entre funções e com níveis diferentes de cooperação. As polícias militares atuam no patrulhamento, enquanto as civis concentram as investigações. A falta de integração também é acompanhada por disputas institucionais.

Carolina Ricardo, diretora-executiva do Instituto Sou da Paz, afirma que as polícias civis precisam ser modernizadas para investigar crimes em ascensão. A mudança, segundo ela, deve incluir a conexão entre investigação criminal e tecnologia.

O caso da psicanalista paulistana Liana Reichstul, 77, ilustra o tipo de fraude que exige novas ferramentas. Depois de pegar um táxi na rua, ela foi informada pelo motorista de que não havia troco e passou o cartão em uma maquininha. O cartão devolvido não era o dela. Na manhã seguinte, R$ 10 mil já haviam sido retirados da conta. O banco ressarciu Liana.

Dois meses antes, ela havia tido o celular roubado por uma pessoa em uma bicicleta, em uma rua na zona oeste de São Paulo.

Crimes sem solução

A investigação também é um gargalo nos crimes tradicionais. A elucidação de homicídios melhorou, mas os resultados variam bastante entre os estados. O Distrito Federal esclarece 96% dos homicídios, enquanto a Bahia chega a 13%.

A demora ou ausência de respostas também aparece em casos atribuídos a agentes públicos. Em outubro de 2020, Maiara Oliveira, 25, estava grávida quando foi baleada na barriga ao fim de uma operação da Polícia Civil no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro. Ela perdeu o bebê, ficou 40 dias em coma e, quase seis anos depois, ainda aguardava uma resposta.

Como não houve perícia, o projeto Maré por Justiça, parceria da Redes da Maré com universidades internacionais, realizou um estudo forense sobre a trajetória da bala. O material foi entregue ao Ministério Público do Rio de Janeiro, responsável por supervisionar as investigações.

A advogada Marcela Cardoso, coordenadora do projeto, afirma que a falta de garantias pode permitir a repetição de violações. Eliana Sousa Silva, diretora e fundadora da Redes da Maré, também defende que a segurança pública seja tratada como um direito previsto na Constituição e estruturado como política pública.

Armas e sistema prisional

O Sistema Nacional de Armas (Sinarm) alcançou 2,17 milhões de registros ativos em 2025, alta de 240% desde 2018. No mesmo ano, as polícias apreenderam 108.786 armas, 5,4% a mais que em 2024. O volume apreendido não permite calcular o tamanho do mercado ilegal.

No sistema prisional, a superlotação e o domínio de unidades por facções convivem com a baixa capacidade de reduzir a reincidência criminal. Alberto Kopittke, diretor do Instituto Cidade Segura, defende programas específicos de reabilitação para presos de alto risco, ligados a facções ou com longa trajetória criminal.

Para Kopittke, a União deve orientar estratégias de policiamento, combate ao crime organizado e prevenção da entrada de jovens em organizações criminosas. Ele também aponta a falta de políticas para homens agressores e para o apoio psicológico a mulheres vítimas.

Violência contra a mulher

A violência doméstica expõe outro problema: a dificuldade de fazer as informações chegarem aos serviços capazes de agir. Rosaly Machado Ferreira, 43, recepcionista de uma unidade de saúde de Garanhuns, em Pernambuco, sofreu agressões durante anos do primeiro e único companheiro.

Após a separação, ela obteve uma medida protetiva. O filho do casal, Gabriel, permaneceu sob guarda compartilhada, apesar dos relatos de maus-tratos feitos por Rosaly ao juiz e ao Conselho Tutelar. O menino morreu aos três anos depois de ser agredido pelo pai.

Rosaly afirma que não encontrou o encaminhamento adequado para a situação e hoje reconhece a própria história nas mulheres que chegam feridas ao serviço de saúde. O caso reforça o desafio de conectar informações entre saúde, Justiça e proteção social.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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