A política externa ocupa espaço central nas propostas dos candidatos à Presidência, com divergências sobre a relação do Brasil com os Estados Unidos e a China, o futuro do Brics, a flexibilização do Mercosul, o combate ao crime organizado e a exploração de minerais críticos.
Lula defende aprofundar a aproximação com o Brics e o Sul Global, além de ampliar o uso de moedas locais nas transações entre os países do bloco. O candidato também quer preservar o Mercosul como principal instrumento de integração econômica e rejeita a transformação do tratado em uma área de livre comércio que permita acordos bilaterais.
Na segurança, Lula propõe cooperação com os Estados Unidos por meio de compartilhamento de inteligência, rastreamento de lavagem de dinheiro e combate ao tráfico de armas e drogas. Ao mesmo tempo, condena operações militares americanas contra o chamado narcoterrorismo na América Latina e não apoia a inclusão do Brasil no Escudo das Américas. Seu governo também defende processamento de minerais críticos no país e a criação de mecanismos públicos de regulação do setor.
Flávio Bolsonaro avalia retirar o Brasil do Brics e quer flexibilizar o Mercosul para viabilizar um acordo bilateral com os Estados Unidos. Defende a entrada do país no Escudo das Américas, a designação de PCC e CV como organizações narcoterroristas e uma parceria estratégica com os americanos para exploração de minerais críticos.
Na política para Israel e Gaza, Flávio promete transferir a embaixada brasileira para Jerusalém, aderir aos Acordos de Isaac e restabelecer relações diplomáticas plenas com Israel. Também propõe uma aliança mais estreita com o governo Trump e a criação de uma zona de livre comércio nas Américas.
Ronaldo Caiado não propõe a saída do Brics, mas quer uma participação voltada a interesses práticos. Defende flexibilizar o Mercosul para permitir acordos bilaterais e retomar o processo de entrada na OCDE. Apoia a cooperação internacional contra o narcotráfico, mas afirma que operações em território brasileiro devem ser comandadas pelas autoridades nacionais. Também admite forças sul-americanas em ações contra crimes ligados a armas, drogas e lavagem de dinheiro.
Caiado rejeita restrições à participação estrangeira majoritária na exploração de minerais críticos, desde que haja processamento local e presença de fornecedores brasileiros. Sobre Israel e Gaza, condena os ataques do Hamas, pede proteção aos palestinos e defende a normalização das relações com Israel.
Renan Santos defende manter o Brasil no Brics, mas com participação estritamente comercial e financeira, sem alinhamento automático à China ou a qualquer agenda antiocidental. Propõe reduzir tarifas do Mercosul e preservar a negociação conjunta dos acordos. Na segurança, aceita cooperação em inteligência, mas rejeita operações armadas estrangeiras e não apoia classificar facções brasileiras como terroristas.
O candidato quer acordos com Estados Unidos e União Europeia para garantir compra de longo prazo e transferência de tecnologia em terras raras. Também propõe combinar relações com as grandes potências sem alinhamento e critica tanto a política de Lula quanto a de Jair Bolsonaro para Israel e Gaza.
Augusto Cury pretende manter o Brasil no Brics, mas retirar do bloco temas geopolíticos, como desdolarização e disputas entre grandes potências. Defende mais liberdade para acordos comerciais no Mercosul e a retomada da adesão à OCDE. Na área de segurança, quer FBI e DEA atuando em conjunto com a Polícia Federal, sem operações estrangeiras no país.
Cury não apoia restrições ao capital externo, mas exige que minerais críticos sejam refinados e processados no Brasil. Defende a retomada das relações diplomáticas plenas com Israel, o reconhecimento do direito palestino a um Estado e o fim da guerra em Gaza. Para os Estados Unidos, propõe negociações técnicas e maior diversificação dos parceiros comerciais.
Romeu Zema é favorável à retirada do Brasil do Brics, embora defenda a manutenção das relações comerciais com os países do bloco. Também quer transformar o Mercosul em uma zona de livre comércio. Sobre o combate ao crime organizado, aceita cooperação militar estrangeira previamente autorizada e propõe retomar o processo de adesão à OCDE.
Zema defende investimentos estrangeiros em minerais críticos, com controle majoritário brasileiro e processamento no país. Quer normalizar as relações com Israel e retomar a participação brasileira na Aliança Internacional para a Memória do Holocausto. Em relação aos Estados Unidos, fala em pragmatismo, mas admite retaliação comercial em caso de medidas contra o Brasil.



