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Próximo governo terá de equilibrar pressão dos EUA, China e minerais críticos

Relações com Donald Trump, regulação das big techs e investimentos em terras raras devem marcar a política externa.

Próximo governo terá de equilibrar pressão dos EUA, China e minerais críticos
Foto: AFP

O próximo presidente brasileiro deverá enfrentar relações difíceis com Donald Trump por ao menos dois anos, além de lidar com a pressão dos Estados Unidos para reduzir a aproximação do Brasil com a China. Especialistas avaliam que o governo americano continuará tentando abrir espaço para seus interesses no país, independentemente de quem vencer a eleição.

A disputa geopolítica também alcança minerais críticos, regulação das grandes empresas de tecnologia e combate ao narcotráfico transnacional. Esses temas devem ocupar a agenda externa porque envolvem interesses econômicos, segurança e decisões sobre investimentos estrangeiros.

Trump e a relação com a China

A eleição colocou a política externa no centro do debate depois do tarifaço e das sanções de Donald Trump contra o Brasil. Flávio Bolsonaro está na defensiva devido à repercussão de sua proximidade com o presidente americano após as medidas de Washington. Em seu programa de governo, o senador menciona pouco o tema e tenta se apresentar como moderado, em contraste com a diplomacia ideológica do mandato de Jair Bolsonaro.

O programa enviado ao TSE não cita Brics, Mercosul ou Donald Trump. O documento tem 75 páginas, das quais 2,5 são dedicadas à política externa. Flávio propõe uma diplomacia baseada no profissionalismo e no pragmatismo e defende a reaproximação com Argentina, Israel e Estados Unidos, sem abandonar negociações com a China e a União Europeia.

Em entrevistas, porém, o candidato afirmou que o Brasil não deveria mais ser marcado pela submissão à China, criticou transações comerciais em moedas diferentes do dólar e disse que poderia considerar a saída do Brics. Também prometeu parcerias preferenciais com os Estados Unidos para explorar minerais críticos e propôs um acordo de livre comércio com o país.

Eduardo Bolsonaro, cotado para o Ministério das Relações Exteriores em um eventual governo do irmão, defendeu uma relação com Washington que vá além de tarifas e comércio. Para a China, propôs preservar oportunidades econômicas, reduzir dependências e avaliar a presença chinesa em setores sensíveis.

Soberania e prioridades de Lula

Luiz Inácio Lula da Silva transformou política externa e defesa em partes centrais de seu programa, ligadas à soberania e ao desenvolvimento. No documento, palavras derivadas de soberania aparecem 42 vezes, e o capítulo correspondente se chama defender a soberania nacional e o protagonismo internacional do Brasil.

O programa prevê a continuidade da ênfase em instituições multilaterais e da aproximação sul-sul. Durante seus mandatos, Lula ampliou gestos de aproximação com a China e de distanciamento dos Estados Unidos. O Brasil não aderiu à iniciativa americana de minerais críticos, ao Escudo das Américas, criado por Trump em março de 2026, nem ao grupo de inteligência artificial Pax Silica. O país integra a Waico, aliança rival liderada pela China.

Para Feliciano Guimarães, professor do Instituto de Relações Internacionais da USP, a segurança pública é um terreno favorável para Flávio e mais difícil para Lula. O candidato do PL cita o programa de Nayib Bukele em El Salvador e apoia a designação do PCC e do CV pelos Estados Unidos como organizações terroristas. Lula rejeita ingerência americana, mas enfrenta o risco político de parecer estar defendendo criminosos.

A campanha de Lula considera a regulação das big techs, o controle de investimentos estrangeiros em minerais críticos e o combate a organizações criminosas transnacionais como temas fundamentais da política externa. A avaliação é que essas questões nunca estiveram tão ligadas a assuntos internos do Brasil.

Minerais e tecnologia

Os minerais críticos ganharam peso por serem estratégicos para a indústria de defesa, carros elétricos e tecnologias de alta complexidade. Estados Unidos, China e Europa disputam acesso aos depósitos de terras raras brasileiros.

No começo do mês, o Senado aprovou um marco legal para os minerais críticos. A proposta cria um conselho com poder de veto sobre parcerias estrangeiras, mas as competências do órgão ainda serão definidas.

A regulação das big techs também deverá afetar a política externa. Os Estados Unidos pressionam países para evitar regras que prejudiquem as grandes companhias americanas de tecnologia.

Na estrutura de um novo mandato de Lula, Celso Amorim permanece à frente da assessoria internacional da Presidência, com a possibilidade de substituição futura por Audo Faleiro. Mauro Vieira deve continuar no Itamaraty, enquanto Mauricio Lyrio ganhou força para o cargo. Lyrio lidera a secretaria de Clima e é sherpa do Brasil no Brics.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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