A Polícia Federal investiga o deputado Cezinha de Madureira (PL-SP) e sua esposa, a advogada Valéria Rodrigues Linhares, por suspeitas de tráfico de influência junto a tribunais superiores e irregularidades na destinação de emendas parlamentares. A apuração faz parte da terceira fase da Operação Transparência, deflagrada na segunda (14).
Cezinha, um dos principais nomes do Ministério Madureira, foi um dos articuladores da indicação de André Mendonça ao Supremo Tribunal Federal em 2021. O deputado estava no gabinete do então senador Luiz do Carmo (PSD-GO) quando Mendonça recebeu a notícia de que havia obtido votos suficientes para ocupar a vaga. Michelle Bolsonaro aparece no vídeo do momento, ao lado de Cezinha, comemorando o resultado.
Relação com Mendonça e Vorcaro
Três anos e meio depois, Cezinha aproximou Mendonça de Daniel Vorcaro, dono do banco Master. O encontro ocorreu no fim de uma tarde de março de 2025, na sede do Instituto Iter, do ministro. Mendonça apresentou o deputado como intermediário entre ele e Vorcaro.
Às 16h37 daquele dia, Vorcaro avisou a Cezinha que estava chegando para a reunião. O deputado respondeu: “Ministro já está te esperando”. No fim do ano, o banco passou a ser associado a uma das maiores fraudes financeiras da história do Brasil.
A trajetória de Cezinha é ligada à Assembleia de Deus Madureira, um dos ramos mais influentes e capilarizados da Assembleia de Deus no país. O deputado construiu sua atuação com foco na articulação política e na negociação, mantendo proximidade com diferentes grupos no poder.
Atuação entre governos
Cezinha chegou a Brasília quando Jair Bolsonaro assumiu a Presidência e se aproximou do bolsonarismo. Em 2021, participou de uma motociata com o então presidente, chamada Acelera para Cristo, e liderou a bancada evangélica em pautas alinhadas ao governo.
Após a troca de Bolsonaro por Lula, o deputado reduziu a retórica antipetista e preservou canais de diálogo com a gestão federal. Em outubro de 2025, apareceu em uma foto com Lula no Planalto ao lado do bispo Samuel Ferreira. Na ocasião, afirmou que “igreja não foi feita para brigar com o governo”.
Cezinha também defendeu a indicação de Jorge Messias, apoiada por Lula, para o STF. No mesmo ano, trocou o PSD pelo PL dos Bolsonaro. Em 2018, ao deixar a Assembleia Legislativa de São Paulo para assumir uma vaga na Câmara, resumiu sua relação com a igreja: “Sou cristão, sou crente, sou pastor. E estou aqui porque a igreja me colocou”.



