Mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro indicam que o então controlador do Banco Master pediu ao diretor jurídico do banco, em dezembro de 2024, que oferecesse um caso ou parecer a Enrique Lewandowski, filho do ministro aposentado do STF Ricardo Lewandowski. O objetivo seria justificar um contrato mantido com o escritório de advocacia de Enrique.
As conversas fazem parte da extração do celular de Vorcaro realizada pela Polícia Federal. Na noite de 9 de dezembro de 2024, Vorcaro encaminhou a Luiz Rennó, então diretor jurídico do Master, o contato de Enrique e escreveu: "preciso. ajuda sua (sic)".
Em seguida, Vorcaro orientou Rennó a procurar Enrique no banco, apresentar-se como o novo diretor, pedir desculpas pela falta de contato e entregar a ele algum trabalho. Rennó confirmou que seguiria a orientação. Vorcaro também pediu que o encontro fosse presencial e que já solicitasse algo ao advogado.
No dia 12 de dezembro, às 12h13, Rennó retomou o assunto e informou que havia conversado com Enrique. Disse que o contato estava resolvido e que daria sequência ao relacionamento.
Contrato e atuação dos advogados
O escritório de Enrique Lewandowski afirmou que prestava serviços jurídicos para vários clientes, entre eles o Banco Master. Segundo a banca, o contrato de consultoria foi firmado em agosto de 2023 e tinha validade até agosto de 2025, quando os serviços foram encerrados. A partir de 2024, a consultoria passou a se concentrar em assuntos fiscais e tributários.
A banca disse ainda que Enrique tratava desses temas com o corpo jurídico do banco. Uma pessoa próxima ao advogado afirmou que, antes da entrada de Rennó, os contatos eram feitos com André Kruschewsky, antigo diretor jurídico do Master.
Ricardo Lewandowski deixou o escritório em 17 de janeiro de 2024, antes de assumir o Ministério da Justiça e de Segurança Pública no governo Luiz Inácio Lula da Silva. Ele havia se aposentado do STF em abril de 2023 e, entre a aposentadoria e a posse no governo, também atuou como advogado do Master.
Em manifestação anterior, Lewandowski afirmou que voltou à advocacia depois de deixar o Supremo e prestou consultoria jurídica ao banco, entre outros clientes. Também declarou que suspendeu o registro na OAB e deixou de atuar em todos os casos ao assumir o ministério, em janeiro de 2024. Procurado sobre os diálogos envolvendo o escritório de seu filho, não se manifestou.
Outros contatos citados
O texto das mensagens integra um conjunto de registros que também menciona contatos de Vorcaro com o instituto fundado pelo ministro André Mendonça e com filhos dos ministros Kassio Nunes Marques e Luiz Fux. Há ainda referência a uma relação próxima com Benedito Gonçalves, ministro do STJ e corregedor do CNJ.
Outra mensagem mostrava uma foto do procurador-geral da República, Paulo Gonet, com Vorcaro, bebendo uísque e fumando charutos. Pessoas com conhecimento das investigações disseram que a imagem foi registrada em 25 de abril de 2024, durante uma degustação no George Club, em Londres. A assessoria da PGR confirmou que Gonet participou do evento de 2024 com outras autoridades e afirmou que André Mendonça disse não haver nada demais nas menções ao procurador-geral.
Os diálogos também aparecem no contexto de contratos firmados por Vorcaro com escritórios ligados a parentes de ministros. Um deles foi o contrato de R$ 131 milhões com o escritório de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes. A análise da Polícia Federal apontou que o próprio ministro fez edições no contrato.


