SÃO PAULO — A entrevista do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) sobre a administração paulista revelou diferenças entre promessas feitas em 2022, resultados registrados durante o mandato e metas apresentadas para um eventual segundo mandato. Os principais pontos envolvem educação, segurança pública, sistema prisional, transportes, habitação, saneamento e saúde.
Na educação, a promessa de campanha era levar 60% dos estudantes da rede estadual ao ensino integral. Atualmente, pouco mais de 30% estão nessa modalidade. Durante a entrevista, Tarcísio reconheceu que não alcançará o objetivo e indicou uma nova meta: chegar a 40% em um eventual segundo mandato.
Educação e segurança
Os resultados do Ideb avançaram, mas ficaram abaixo dos objetivos estabelecidos. Nos anos finais do ensino fundamental, o índice passou de 5,1 em 2023 para 5,2 em 2025, ante uma meta de 5,8. No ensino médio, subiu de 4,2 para 4,3, enquanto a meta era 5,1.
O governador também citou o Pisa para defender a educação paulista. A avaliação mede estudantes de 15 anos e não foi criada para mensurar isoladamente o desempenho de uma administração estadual. Além disso, a edição de 2022 ocorreu antes do início do atual governo.
Outro ponto revisto foi o uso de plataformas digitais na rede estadual. Após ampliar o modelo, Tarcísio admitiu a necessidade de mudanças diante de problemas relacionados ao volume de exercícios e acessos e aos efeitos sobre a autonomia dos professores.
Na segurança pública, a promessa de novos concursos para as polícias Civil e Militar convive com efetivos abaixo do previsto. Em 2025, São Paulo tinha 82.250 policiais militares para um quadro previsto de 93.801, o equivalente a 87,7%. Na Polícia Civil, eram 19.420 profissionais para 24.332 postos, ou 79,8% do total planejado.
Documentos do Tribunal de Contas do Estado também registram déficits nas estruturas policiais e recomendam medidas para recompor os efetivos.
Presídios, obras e concessões
Tarcísio anunciou a construção de dez novos presídios e avaliou que o sistema penitenciário estava sob controle. Dados do Tribunal de Contas, porém, apontam que 74,7% das unidades examinadas operavam acima da capacidade. Em 68,13% delas não havia bloqueadores de sinais de celulares, e 72% estavam sem Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros vigente.
No transporte ferroviário, parte das obras mencionadas no horizonte de 2030 tem conclusão prevista para depois desse prazo. A extensão da Linha 2-Verde até Guarulhos e a ampliação da Linha 13-Jade até Bonsucesso estão programadas para 2032. A extensão da Linha 12-Safira até Suzano tem previsão para 2031.
O governador também admitiu que a concentração da operação ferroviária em poucas empresas pode ser problemática e considerou revisar contratos. A CPTM reassumiu temporariamente a operação das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade após problemas ocorridos poucos dias depois da transferência para a concessionária Trivia Trens. O Ministério Público de São Paulo abriu investigação, e Tarcísio chegou a ameaçar anular a concessão.
Habitação, saneamento e saúde
Na habitação, o governo contabiliza no Casa Paulista unidades habitacionais, subsídios e cartas de crédito. A comunicação oficial registra mais de 80 mil famílias atendidas, enquanto a promessa de campanha previa 200 mil moradias até o final de 2026. As modalidades contabilizadas não correspondem necessariamente à construção direta de imóveis pelo Estado.
No saneamento, Tarcísio citou que Guarulhos tinha 2% do esgoto tratado. Esse percentual corresponde a 2017. A Sabesp assumiu a operação no município em 2019. Em dezembro de 2023, o tratamento estava em aproximadamente 18%; em 2025, chegou a cerca de 40%; e os dados para 2026 apontam 48%. A coleta passou de 91% para 96% entre dezembro de 2023 e dezembro de 2025.
Na saúde, o governador destacou o aumento das cirurgias, de aproximadamente 750 mil para 1,5 milhão. São Paulo registrou volume recorde de cirurgias eletivas em 2025, mas auditoria do Tribunal de Contas da União sobre dados de 2023 a 2025 identificou dificuldades no monitoramento e na integração dos registros. Apenas uma parcela reduzida dos procedimentos estava registrada na Rede Nacional de Dados em Saúde, o que limita a avaliação das filas.
A ampliação das concessões também colocou em evidência a capacidade de fiscalização do Estado. A Artesp, responsável pela regulação do transporte rodoviário, tem estrutura reduzida diante dos serviços regulados e enfrenta dificuldades para transformar autuações em multas efetivamente cobradas. O governo atribui parte do problema à morosidade judicial.
A entrevista ocorreu durante a campanha pela reeleição. Nesse contexto, as metas anunciadas em 2022, os resultados do mandato e os novos compromissos apresentados para os próximos quatro anos formam um conjunto de informações para a avaliação da gestão paulista.



