SÃO PAULO — O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou à Polícia Federal (PF) e à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) a investigação de operações financeiras entre o Banco Master e concessionárias de cemitérios de São Paulo. A decisão foi tomada na quinta-feira (17), na ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental) 1.196, que trata dos serviços funerários, cemiteriais e de cremação na capital paulista.
Dino também encaminhou ao presidente do STF, Edson Fachin, uma menção ao ministro André Mendonça. O documento foi enviado na terça-feira (15) para ser anexado ao procedimento que apura condutas de Mendonça.
A referência está relacionada a um encontro entre Mendonça e Daniel Vorcaro, do Banco Master, realizado em 14 de março de 2025, na sede de uma empresa privada em São Paulo. No dia seguinte, Mendonça pediu vista e suspendeu o julgamento de uma medida que limitava os preços cobrados pelas concessionárias de cemitérios da capital.
Escopo da investigação
Dino oficiou o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, para que seja instaurado inquérito diante do “adensamento de indícios de crimes” nas transações entre a instituição financeira e as concessionárias.
O ministro determinou que a apuração policial fique restrita às relações entre o Banco Master, as empresas funerárias e eventuais agentes dos Poderes Executivo e Legislativo. Ele ressaltou que a PF não pode investigar Mendonça. Eventuais providências sobre a atuação funcional de ministros, afirmou Dino, cabem exclusivamente ao presidente do STF, junto ao colegiado.
De acordo com a decisão, Mendonça confirmou depois que recebeu Vorcaro a pedido de integrantes da Igreja Batista da Lagoinha, com intermediação do deputado Cezinha Madureira. Dino associou o encontro ao vínculo de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, com a igreja e ao cargo diretivo que ele exerceu na Cortel, concessionária de cemitérios em São Paulo.



