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Política

Eleição russa reforça domínio de Putin e testa limites da oposição

Votação para a Duma deve manter o Rússia Unida no controle, enquanto candidatos pacifistas enfrentam exclusões e detenções.

Eleição russa reforça domínio de Putin e testa limites da oposição

A eleição para a Duma, a câmara baixa do Parlamento russo, deve manter o partido Rússia Unida no comando e formar uma bancada alinhada ao presidente Vladimir Putin. Mesmo com o resultado previsível, a votação tem importância política para o Kremlin: é a primeira eleição parlamentar desde o início da invasão em larga escala da Ucrânia.

O governo pretende usar o pleito para sustentar que a maioria dos russos apoia Putin e a guerra. A disputa também abriu espaço para a promoção política de soldados que voltaram da Ucrânia. Autoridades afirmam que quase duzentos veteranos de guerra concorrem.

O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, rejeitou críticas sobre a falta de liberdade e justiça na votação. “Temos nosso próprio sistema político, nosso próprio processo político”, disse.

A Duma terá 450 deputados. Na legislatura anterior, partidos de diferentes orientações — alguns nacionalistas e outros de esquerda — apoiaram as iniciativas centrais do Kremlin. O líder do Partido Comunista, Gennadi Ziuganov, afirmou que todas as legendas da casa votaram a favor de 170 leis relacionadas à chamada operação militar especial. Segundo ele, há “100% de concordância na Duma”.

A campanha, porém, registrou episódios incomuns. Em um programa transmitido pela televisão estatal, seis púlpitos apareceram vazios porque os candidatos não compareceram. Em outro debate, um candidato apresentou sua participação cantando uma música do Partido Comunista.

O espaço para partidos contrários à guerra

O Iabloko, que defendia um cessar-fogo na Ucrânia, era o único partido pacifista registrado para a eleição em julho. Doze dias depois, a Suprema Corte retirou a legenda da cédula. A decisão foi interpretada como uma preocupação do Kremlin com a possibilidade de mensagens pacifistas conquistarem apoio entre os eleitores.

Alguns candidatos do Iabloko continuaram concorrendo por distritos individuais, mas integrantes da legenda foram detidos pela polícia, processados e impedidos de participar da votação. Grigori Grishin, candidato do partido, disse que as autoridades estabelecem os limites da disputa. “A polícia está cumprindo ordens políticas. Isso não é segredo”, afirmou.

Grishin também relatou ter sido levado à delegacia por três policiais à paisana. Segundo ele, a polícia alegou que uma publicação sua no Telegram, com a palavra “Navalni”, divulgava um símbolo extremista. Alexei Navalni, crítico do Kremlin e principal líder da oposição, morreu na prisão em 2024 após ser condenado por crimes que incluíam extremismo.

As autoridades russas afirmam que a eleição é transparente e justa. Críticos apontam que opositores foram presos ou obrigados a deixar o país. Grigori Melkoniants, um dos líderes do grupo independente Golos, foi condenado a cinco anos de prisão por trabalhar com uma “organização indesejável”. A entidade de monitoramento eleitoral foi fechada.

Guerra e preocupações econômicas

Em Dmitrov, a 80 quilômetros de Moscou, moradores associam a eleição principalmente à guerra. Um memorial local homenageia pessoas mortas em combate na Ucrânia. Olga, cujo genro é soldado, disse que as eleições não podem alterar o curso dos acontecimentos. Polina afirmou que gostaria de viver em um país sem guerras e sem o receio de que um drone caia nas proximidades.

A população também enfrenta outras preocupações. Ataques de drones ucranianos contra refinarias russas provocaram escassez de combustível, enquanto as pressões econômicas aumentaram. Ivan, um barbeiro, afirmou que os preços sobem mais rápido que os salários e que muitas pessoas enfrentam dificuldades.

Para Grishin, as eleições russas não têm a mesma função atribuída às eleições ocidentais. Na avaliação dele, na Rússia os pleitos podem enviar sinais ao governo, mas nunca provocaram uma mudança de poder. A expectativa de grandes transformações com a votação, portanto, permanece baixa.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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