Emma Bonino morreu nesta sexta-feira (11), aos 78 anos, informou seu porta-voz. A política italiana havia sido hospitalizada em estado grave na segunda-feira, deixou a terapia intensiva na quinta-feira e foi levada para uma clínica particular.
Sua trajetória começou em 1974, quando o aborto ainda era ilegal na Itália. Bonino viajou a uma clínica clandestina em Florença para interromper uma gravidez não planejada. No ano seguinte, apresentou-se à polícia e transformou o caso em uma ação pública contra a criminalização do procedimento.
A prisão ajudou a impulsionar uma campanha que levou à legalização do aborto na Itália em 1978. O episódio também marcou sua entrada no Parlamento pelo Partido Radical, criado sob a liderança de Marco Pannella e conhecido por ações de desobediência civil, greves de fome e referendos.
“Lutei por direitos a vida inteira, alertando as pessoas para defendê-los, porque eles não duram para sempre”, disse Bonino à emissora estatal Rai em 2024.
Atuação na Itália e na Europa
Bonino foi eleita várias vezes para os Parlamentos italiano e europeu. Em Roma, ocupou os cargos de ministra das Relações Exteriores e ministra dos Assuntos Europeus. Em 1994, com o apoio do então primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi, foi nomeada para a Comissão Europeia.
Em Bruxelas, ficou responsável por áreas como pesca, política do consumidor e o escritório humanitário da Comunidade Europeia. Durante a chamada “guerra do peixe” entre a União Europeia e o Canadá, embarcou em barcos de pesca espanhóis e acusou o governo canadense de pirataria, o que foi negado pelo país.
Em 1997, foi detida brevemente por milicianos do Talibã durante uma visita ao Afeganistão. Pessoas de sua comitiva haviam fotografado um hospital feminino, o que contrariava as regras do grupo.
Bonino também defendeu campanhas contra a mutilação genital feminina, a igualdade previdenciária na Itália e os direitos dos migrantes. Em 2017, fundou o partido +Europa (Mais Europa), que defendia uma integração mais estreita na União Europeia.
O partido não conquistou cadeiras nas eleições para o Parlamento Europeu de 2019 e 2024. Nas eleições nacionais de 2022, obteve duas cadeiras.
Últimos anos
Bonino continuou na política depois dos 70 anos e enfrentou um câncer de pulmão, sem abandonar o hábito de fumar. Em novembro de 2024, o então papa Francisco foi à casa dela, fora do Vaticano, após um problema grave de saúde.
Nascida no noroeste da Itália em 1948, Bonino nunca se casou e não teve filhos. “Não os tive por escolha”, afirmou à revista Io Donna em uma entrevista de 2018.



