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Política

Flávio Bolsonaro explora crise no STF e enfrenta contradições sobre aliados e instituições

Candidato do PL critica ministros e defende a democracia, mas evita temas ligados ao governo do pai e à própria relação com Daniel Vorcaro.

Flávio Bolsonaro explora crise no STF e enfrenta contradições sobre aliados e instituições
Foto: Reuters

O senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, transformou a crise no Supremo Tribunal Federal (STF) em eixo central de sua campanha. O movimento ocorre pouco mais de um mês antes do primeiro turno e levou o parlamentar ao melhor momento eleitoral, em empate com Lula (PT).

Flávio tem concentrado críticas nos ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino, associando os dois ao presidente Lula para atrair votos de protesto contra o Supremo. Ao mesmo tempo, passou a defender a democracia, a independência da Polícia Federal (PF) e a preservação da instituição, em uma tentativa de conquistar eleitores indecisos de centro.

A estratégia deixa em segundo plano a relação do senador com Daniel Vorcaro, ex-banqueiro e dono do Banco Master, além de episódios do governo de Jair Bolsonaro. Mensagens trocadas entre Flávio e Vorcaro mostram proximidade: o senador chamou o empresário de irmão e afirmou que não havia “meia conversa” entre os dois. Flávio também disse ter visitado Vorcaro em dezembro, depois da primeira prisão do ex-banqueiro e quando os esquemas de fraude financeira já eram conhecidos.

Relação com o financiamento do filme

Flávio critica as suspeitas de benefícios recebidos por ministros do STF, mas também teve acesso a recursos de Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, sobre a vida de Jair Bolsonaro. O ex-banqueiro teria prometido cerca de R$ 130 milhões para a produção, dos quais aproximadamente R$ 60 milhões teriam sido pagos.

O senador é formalmente investigado em um inquérito do STF que apura possível lavagem de dinheiro e corrupção no financiamento do filme. Aliados afirmam que o caso já foi esclarecido e que não há conflito porque Flávio não teria pedido vantagens pessoais, mas recursos para uma produção cinematográfica.

Na quinta-feira (17), em uma transmissão ao vivo, Flávio questionou a falta de definição do Supremo sobre a abertura de investigação contra Moraes e citou um contrato de R$ 130 milhões da advogada Viviane Barci, mulher do ministro, para defender Vorcaro. As suspeitas envolvendo o ex-banqueiro e ministros passaram a aparecer em comícios, entrevistas e propagandas do candidato.

Ataques ao STF e à Polícia Federal

Em um comício em Boa Vista (RR), no último dia 11, Flávio disse: “Hoje o último obstáculo para que o Brasil não vire uma ditadura de vez chama-se Flávio Bolsonaro.” No ato bolsonarista do 7 de Setembro, em São Paulo, afirmou que acabaria com a ditadura de Moraes e que Lula e o ministro formavam um consórcio.

O discurso retoma a retórica de Jair Bolsonaro, mas não menciona a condenação do ex-presidente por tentativa de golpe de Estado. Em setembro de 2025, Bolsonaro recebeu pena de 27 anos e 3 meses de prisão. O STF considerou que ele liderou uma trama para permanecer no poder, com pressão sobre comandantes militares para impedir a posse de Lula em 2023.

Flávio também afirma que a tentativa de golpe não existiu e sustenta que o julgamento do pai foi uma farsa articulada por Moraes. Antes de ser escolhido candidato, disse que o apoio da família a um presidenciável dependeria da concessão de indulto a Bolsonaro e de uma disputa com o Supremo, inclusive com uso da força, se necessário.

O senador critica a PF, que acusa de funcionar como uma polícia de Lula, e recusou a escolta oferecida pela corporação aos candidatos à Presidência. Preferiu manter a proteção da Polícia Legislativa do Senado. Depois que André Mendonça afastou o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, Flávio chamou a estrutura de “grupo especial de Lula”.

A posição contrasta com episódios do governo Bolsonaro. Em 2020, o então presidente afirmou que pretendia interferir na PF. Dois dias depois, exonerou o diretor-geral da corporação, decisão que levou Sergio Moro a deixar o governo e acusar Bolsonaro de interferência para obter informações e relatórios confidenciais.

Flávio apoiou o afastamento de Andrei Rodrigues, mas critica a suspensão da nomeação de Alexandre Ramagem para comandar a PF durante o governo Bolsonaro. Aliados dizem que os casos são diferentes: para eles, Andrei agiria politicamente, enquanto Moraes teria interferido na prerrogativa presidencial de escolher o chefe da polícia.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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