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Flávio Bolsonaro acusa Lula de ataques, enquanto PT compara governos na TV

Na reta final do primeiro turno, candidatos exploraram endividamento, segurança pública, custo de vida e rejeição eleitoral.

Flávio Bolsonaro acusa Lula de ataques, enquanto PT compara governos na TV
Foto: Tita Barros e Ricardo Stuckert/Reuters e Presidência da República

Flávio Bolsonaro (PL) afirmou, no programa eleitoral desta terça-feira (22), que é alvo de ataques da propaganda de Lula (PT). O presidente, candidato à reeleição, respondeu com comparações entre sua gestão e o governo de Jair Bolsonaro.

O senador abriu a peça dizendo que a campanha petista o ataca desde o início, edita suas declarações e recorre a “baixarias”. Embora tenha feito críticas diretas ao governo adversário no mesmo programa, afirmou que sua propaganda não apresentaria esse tipo de conteúdo.

Para Aldo Fornazieri, coordenador do curso de pós-graduação em Estratégia e Liderança Política da FESPSP (Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo), a mensagem funciona como uma ação preventiva. “É uma estratégia de fidelização e uma estratégia de defesa”, disse.

Segundo o cientista político, a intenção é preservar os votos de quem já escolheu Flávio em uma disputa que pode ser definida pelos indecisos. O horário eleitoral do primeiro turno termina no dia 1º, e a votação está marcada para 4 de outubro.

Endividamento e segurança pública

Flávio associou Lula ao recorde de brasileiros endividados e afirmou: “O governo dele é uma vergonha”. A palavra foi repetida ao longo da peça.

Camilo Aggio, professor da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e pesquisador do INCT.DD (Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Democracia Digital), avaliou que o senador concentrou sua mensagem em dois temas da eleição: endividamento e segurança pública.

Na área de segurança, Flávio prometeu iniciar a construção de cinco megapresídios federais, quadruplicar a pena para “ladrão de celular” e reduzir a maioridade penal. Também declarou que, em seu governo, o presídio não seria “escritório do crime”. Na economia, prometeu ajudar na renegociação de dívidas, reduzir juros e cortar impostos.

Aggio relacionou a abordagem sobre dívidas a princípios religiosos ligados à compaixão e ao perdão. Na avaliação dele, a proposta de punições mais rígidas dialoga com a experiência de pessoas que convivem com roubos de celular.

Ao final, a propaganda afirmou que o programa de Lula atacaria Flávio e, em seguida, exibiu depoimentos de mulheres negras sobre custo de vida e o PT. Aggio associou a escolha ao desempenho eleitoral do senador entre mulheres e eleitores negros, segmentos nos quais Lula vence com margem significativa. No programa do dia 17, Flávio havia apresentado um voucher para creche privada onde faltassem vagas na rede pública.

Mensagens do PT e dos demais candidatos

No programa petista, Lula disse que a situação ainda não está boa e prometeu reduzir a inflação. Para Fornazieri, a declaração prejudica o candidato ao reforçar a mensagem de mudança depois de Flávio abordar endividamento e custo de vida.

Sem mencionar o adversário, Lula questionou candidatos que prometem baixar preços e citou o período em que eles tiveram “a caneta na mão”. A propaganda comparou as políticas tributárias dos dois governos e afirmou que Lula isentou do Imposto de Renda quem ganha até R$ 5.000.

A peça do PT também disse que os alimentos ficaram mais caros durante o governo Bolsonaro e que os efeitos da gestão anterior permanecem porque “reconstruir leva tempo”. Em programas anteriores, a associação entre Flávio e o governo do pai já havia sido explorada. No dia 17, a propaganda afirmou que a família Bolsonaro deixou o país mais violento e colocou mais de 1 milhão de armas nas ruas.

Na avaliação de Fornazieri, a campanha de Lula deveria priorizar realizações dos últimos quatro anos, deixando propostas e ataques em segundo plano. Para ele, o excesso de ataques pode prejudicar quem está no governo.

Também nesta terça-feira (22), Augusto Cury (Avante), com 6% das intenções de voto no Datafolha, e Ronaldo Caiado (PSD), com 4%, defenderam a ideia de terceira via e criticaram a rejeição aos dois principais candidatos.

Cury exibiu uma radiola com a frase “é Lula, é Bolsonaro” e um jingle que repetia “Cury é a cura”. Caiado mostrou trechos de entrevista ao podcast Flow sobre segurança pública e tecnologia na educação. O programa terminou com um QR code para a íntegra do vídeo, estratégia que Aggio associou a uma campanha com menos recursos e à busca por segmentos de nicho.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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