O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, pediu ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que encaminhe à Procuradoria-Geral da República uma notícia-crime contra o presidente Lula (PT). A solicitação busca investigar se Lula atuou em favor de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
O pedido foi apresentado nesta quarta-feira (23) por advogados da campanha de Flávio. Mendonça é o relator do caso Master no STF. A defesa quer que Lula seja investigado sob suspeita de corrupção passiva e advocacia administrativa.
Mensagens e suposto presente
A iniciativa cita mensagens de Walfrido Warde, que fazia parte da defesa de Vorcaro. Em uma delas, o advogado teria informado ao banqueiro que havia falado com Lula e mencionado um suposto uísque dado de presente ao presidente. Warde também teria articulado encontros entre Vorcaro e Lula para tratar de assuntos de interesse do ex-banqueiro.
A mensagem sobre a bebida é de 2025. Nela, Warde escreveu: “estive com o PR [presidente] hoje. Ele me perguntou se você estava bem e mais tranquilo. Eu lhe disse que sim. Ele agradeceu mais uma vez o whisky e mandou um abraço”.
A Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República negou que Lula tenha recebido presentes ou enviado recados a Vorcaro. O uísque não aparece na lista oficial de presentes recebidos pelo presidente neste mandato, obtida por meio da Lei de Acesso à Informação.
O nome de Warde consta uma vez na relação, como autor do livro “Por uma segurança pública democrática, cidadã e antirracista”, entregue a Lula em 2023 pela Prefeitura Municipal de Diadema. O registro foi incluído no acervo presidencial em 21 de novembro de 2023. Warde aparece como organizador da obra ao lado de Benedito Mariano.
Encontro no Planalto
A notícia-crime também menciona uma reunião entre Lula e Vorcaro em 2024. O encontro não foi registrado na agenda presidencial e contou com a participação de Guido Mantega, do senador Jaques Wagner (PT-BA), do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e dos ministros Rui Costa e Alexandre Silveira.
Outra mensagem atribuída a Warde afirma que o chefe de gabinete da Presidência, conhecido como Marcola, pediu um e-mail com os temas que Vorcaro pretendia discutir com Lula.
Flávio também manteve contato com Vorcaro. Em mensagens, chamou o dono do Banco Master de irmão e o visitou após a primeira prisão do ex-banqueiro. O senador cobrou repasses para financiar o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro (PL).
Flávio é investigado no Supremo no inquérito relacionado ao filme. A Polícia Federal pediu a apuração de possível lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros delitos correlatos. Vorcaro pagou ao menos R$ 65 milhões pelo longa, e Flávio não apresentou documentos detalhando a destinação dos recursos.



