SÃO PAULO — O governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) contabiliza 90,5 mil moradias populares entregues desde 2023, mas concluiu diretamente a construção de 33,4 mil unidades no período. A diferença corresponde a modalidades de crédito imobiliário oferecidas a famílias de baixa renda.
Os dados são da Secretaria de Estado da Habitação. A construção foi realizada pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) ou financiada pelo mercado privado por meio de chamamento público. Já os 57,1 mil casos restantes correspondem a diferentes tipos de crédito, incluindo cartas usadas para subsidiar a entrada na compra de imóveis privados.
A carta de crédito permite que a família utilize um valor definido para adquirir uma moradia. No programa Casa Paulista, os subsídios citados variam de R$ 10 mil a R$ 16 mil. A pasta informou ainda ter emitido 96,3 mil cartas de crédito imobiliário desde 2023, mas considera a entrega como moradia apenas quando o empreendimento é concluído e as chaves chegam às famílias beneficiadas.
Como o governo apresenta os resultados
Em agendas públicas e propagandas eleitorais, Tarcísio afirma que triplicou a produção habitacional do estado. No final de agosto, durante uma visita às obras do futuro Conjunto Habitacional Campo Belo, na zona sul de São Paulo, ele declarou: “A gente conseguiu triplicar isso, também triplicando o investimento.”
Historicamente, o estado entregava entre 30 mil e 35 mil habitações a cada período de quatro anos. O número de unidades construídas pelo governo desde janeiro de 2023, portanto, está dentro dessa faixa, segundo os dados oficiais apresentados no texto.
A Secretaria Estadual de Habitação afirmou que não é “correto” separar os resultados entre unidades diretas da CDHU e cartas de crédito, porque o Casa Paulista reúne modalidades diferentes de produção e financiamento habitacional. A pasta também disse que, sem o apoio estadual, as famílias beneficiadas teriam dificuldade ou não conseguiriam comprar uma moradia.
Das 117 mil unidades que o governador afirma estarem em obras, 84 mil não são construídas diretamente pelo governo, mas viabilizadas por mecanismos de crédito imobiliário. Isso representa 72% do total informado.
Candidato à reeleição, Tarcísio promete entregar pelo menos 30 mil unidades caso vença as eleições. A prioridade anunciada são famílias que vivem em áreas de risco, como encostas, mananciais, várzeas de rios e palafitas. Ele não especificou se essa meta incluiria apenas moradias construídas pela CDHU ou também cartas de crédito.



