O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), defendeu o procurador-geral da República, Paulo Gonet, depois da divulgação de mensagens apreendidas no celular de Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master.
Em uma manifestação nas redes sociais, Mendes afirmou que Gonet tem reputação ilibada e que sua atuação pública é reconhecida por pessoas que concordam e discordam dele. Para o ministro, a divulgação das conversas prejudicou a imagem do procurador-geral, embora, segundo ele, o conteúdo não mostrasse nenhuma prática ilícita.
“Mesmo assim, teve a honra injustamente manchada pelo levantamento do sigilo de conversas que nada de ilícito retratavam”, escreveu Mendes.
O ministro também reiterou críticas a André Mendonça, do STF. Mendes afirmou que houve uma tentativa de lucrar politicamente com o episódio e classificou a divulgação como um vazamento seletivo. Ele questionou a publicação, pelo relator, de um vídeo nas redes sociais em que Mendonça agradecia o apoio popular.
Mendes disse ainda que, durante a sessão, o próprio relator havia reconhecido a lisura da conduta de Gonet e admitido que não havia nada contra ele. Na avaliação do ministro, a exposição do procurador-geral não deveria ter ocorrido.
Discussão no plenário
As declarações retomaram um confronto ocorrido durante a sessão convocada para analisar o relatório da Polícia Federal sobre uma troca de mensagens entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes.
O bate-boca começou depois que Gonet afirmou não ter mantido relações com Vorcaro. Na sequência, Mendes acusou Mendonça de agir com desfaçatez e leviandade. Mendonça reagiu, pediu respeito e afirmou que não havia choro na discussão. Mendes respondeu: “Pode chorar, pode chorar”.
Depois do episódio, o ministro Flávio Dino anunciou um pedido de vista do julgamento e cobrou do presidente do STF, Luiz Edson Fachin, providências sobre o confronto entre os ministros.



