CURITIBA — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, afirmou neste sábado (12) que ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) não devem ocupar o cargo com o objetivo de enriquecer. Durante um ato de campanha na capital paranaense, ele comparou a função a um sacerdócio e defendeu que os integrantes da Corte mantenham um padrão de comportamento superior ao da média da sociedade.
Lula também declarou que seu filho mais velho, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, não será protegido. O empresário é investigado em três inquéritos no Supremo. Um deles apura suspeitas de corrupção e tráfico de influência em uma tentativa de obter contrato com o Ministério da Saúde para fornecer medicamentos à base de canabidiol ao Sistema Único de Saúde (SUS).
“Se ele cometeu um erro, ele terá de pagar pelo erro que cometeu”, afirmou Lula. O presidente disse acreditar na inocência do filho, mas afirmou que a mesma regra deve valer para ele próprio e para qualquer ministro da Suprema Corte.
As declarações ocorreram em meio à crise envolvendo o caso Master. Relatórios da Polícia Federal apontaram trocas de mensagens entre Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do extinto Banco Master, e o ministro Alexandre de Moraes sobre operações policiais. Os documentos também registraram a atuação de Moraes na edição de um contrato de R$ 130 milhões entre o escritório de sua esposa e Vorcaro.
Relatórios de inteligência da PF também indicaram suspeitas de assimetria e direcionamento atribuídas ao ministro André Mendonça na condução das operações Sem Desconto e Compliance Zero. A Procuradoria-Geral da República pediu ao presidente do STF, Edson Fachin, a divulgação dos autos, sob o argumento de que a liberação parcial poderia criar uma ideia equivocada de transparência.
Fachin deu prazo de 24 horas para Mendonça retirar o sigilo das apurações. O ministro liberou dezenas de procedimentos, mas afirmou que manteve restrições em trechos específicos para proteger investigações em andamento e dados pessoais, bancários e fiscais.
Moraes contestou a medida e disse que apenas 15 procedimentos foram disponibilizados de forma incompleta, com a omissão de 180 peças e arquivos. Ele pediu a retirada integral do sigilo, a intimação dos magistrados citados e a análise conjunta de petições relacionadas ao caso. Fachin marcou para 23 de setembro a apreciação da petição que reúne informações sobre Moraes.



