O ministro Kassio Nunes Marques declarou-se impedido de participar do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e ao ministro Alexandre de Moraes. Após a decisão, ele deixou a sessão plenária desta terça-feira (15).
A análise começou depois de o presidente do STF, ministro Edson Fachin, apresentar seu relatório. Nunes Marques afirmou que não se sentia confortável em participar do julgamento como presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), porque os debates poderiam influenciar o processo eleitoral de 2026.
"O TSE tem se mantido equidistante de todos que rondam o processo eleitoral", disse o ministro. Em seguida, declarou seu impedimento e deixou o plenário.
Mensagens e valores citados
A sessão extraordinária discute se as informações reunidas pela Polícia Federal (PF) justificam a abertura de uma investigação contra Moraes. Entre os dados estão mensagens de Vorcaro, ex-dono do extinto Banco Master, e do ex-diretor jurídico da instituição, Luiz Rennó.
Em uma das conversas, Rennó responde a uma mensagem de Vorcaro com dados de Kevin Marques e menção a um pagamento de R$ 500 mil por mês. De acordo com os diálogos, os pagamentos seriam feitos pela Consult Inteligência Tributária.
Nunes Marques negou irregularidades e afirmou que nunca julgou processos relacionados ao Banco Master. Também disse que seu filho nunca prestou serviços nem recebeu pagamentos da instituição. "Quanto a isso, eu tenho absoluta isenção", declarou.
A defesa de Kevin Marques afirmou que ele não prestou serviços ao Banco Master nem recebeu dinheiro de Vorcaro. Segundo a nota, o advogado recebeu R$ 281,6 mil da Consult por serviços jurídicos especializados na área tributária administrativa, sem relação com o STF.
Dados do celular
Na segunda-feira (14), a PF informou ter entregue aos gabinetes de Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes cópias dos dados extraídos do celular apreendido de Vorcaro.
Os ministros haviam solicitado acesso à integralidade do espelhamento do aparelho, um iPhone 17 Pro. Zanin afirmou que o colegiado precisava conhecer o contexto completo dos dados antes de deliberar e destacou que a defesa de Vorcaro já havia acessado todo o conteúdo.



