A Polícia Federal vê indícios de desvios em emendas parlamentares destinadas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a um projeto de futebol do Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (Ifop), no Rio. Em 2023, uma assessora do senador negociou a liberação dos recursos com Robson Calixto, conhecido como Peixe e condenado pelo Supremo Tribunal Federal por envolvimento no assassinato de Marielle Franco.
O repasse de R$ 199 mil foi destinado ao projeto Jogadores do Futuro, ligado ao Ifop, localizado no bairro Taquara. A área é apontada como de influência de Chiquinho Brazão e Domingos Brazão, condenados pelo STF como mandantes da morte da vereadora.
Diálogos e investigação
As conversas foram obtidas pela PF em um celular de Calixto, durante uma busca e apreensão realizada em março de 2024. Nos diálogos, ele pede ajuda para obter recursos e é orientado pela assessora Maria de Fátima Bezerra Castro a formalizar a solicitação por email ou ofício.
A PF descreve Maria de Fátima como interlocutora direta de Calixto no gabinete senatorial. As mensagens se estenderam até março de 2024, com cobranças sobre a liberação dos valores para o instituto. Em uma delas, o miliciano escreveu: “Consultamos as destinações parlamentares e não tinha nada do nosso Senador, porém estamos no aguardo”.
O relatório policial afirma que, poucos dias depois de uma cerimônia de entrega de coletes para a Polícia Militar do Rio, Flávio destinou emendas que teriam servido a contratações fraudulentas do instituto. A PF também menciona uma apuração do Tribunal de Contas da União segundo a qual o escritório de advocacia do presidente do Ifop foi contratado para coordenar o projeto esportivo, com indícios de combinação dos valores.
Segundo a polícia, Flávio destinou cerca de R$ 600 mil à organização investigada. Além dos R$ 199 mil para o projeto esportivo, foram enviados cerca de R$ 400 mil para Barra do Piraí (RJ) por meio de emenda Pix.
Defesas
A assessoria de Flávio, que é candidato à Presidência pelo PL, afirmou que os repasses seguiram a lei e critérios técnicos do Ministério do Esporte. Disse também que a entidade apresentou notas fiscais, devolveu os valores não utilizados e que a execução dos recursos é responsabilidade da organização beneficiária.
O advogado de Robson Calixto, Gabriel Habib, não respondeu aos contatos. Cleber Lopes, que representa Chiquinho Brazão, informou que não se manifestaria. A defesa de Domingos Brazão disse não cuidar do tema relacionado às emendas. O Ifop também não havia apresentado posicionamento.
Calixto recebeu pena de 9 anos de reclusão por integrar o grupo envolvido no assassinato de Marielle. Os irmãos Brazão foram condenados, cada um, a 76 anos e 3 meses de prisão, por serem apontados como mandantes do crime e por chefiar uma milícia na zona oeste do Rio de Janeiro.



