Pesquisa divulgada na segunda-feira (14) colocou Flávio Bolsonaro numericamente à frente de Luiz Inácio Lula da Silva em uma simulação de segundo turno: 42% das intenções de voto para o senador, contra 40% para o presidente. Os dois aparecem tecnicamente empatados.
No mesmo período, as campanhas dos dois candidatos levaram para a televisão a crise relacionada a Alexandre de Moraes e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O Supremo Tribunal Federal realizou uma sessão para discutir os desdobramentos do caso, e os programas eleitorais usaram o episódio para trocar acusações.
Flávio dedicou sua propaganda a críticas ao governo Lula. O senador afirmou que a administração federal contribuiu para um desequilíbrio institucional ao governar com parte do Supremo e acusou o presidente de compartilhar poder com Moraes.
“O atual presidente dividiu o seu poder com Alexandre de Moraes. E, no fim, o Brasil ficou sem presidente nenhum. Sem comando”, declarou Flávio.
A campanha petista, por outro lado, destacou investigações envolvendo o senador e aliados. O programa mencionou políticos do Rio de Janeiro associados a Flávio, incluindo um pré-candidato ao governo estadual apoiado por ele que teria sido preso sob acusação de ligação com o Comando Vermelho. Também citou TH Joias, deputado preso sob suspeita de tráfico e lavagem de dinheiro para a facção.
Ataques e investigações
A propaganda de Lula ainda recuperou uma declaração de Jair Bolsonaro feita em uma reunião com ministros em 2020. Na fala, o ex-presidente defendia mudanças no comando da Polícia Federal e no Ministério da Justiça enquanto havia investigações envolvendo sua família.
A peça contrapôs o episódio à atuação do atual governo e afirmou que a Polícia Federal tem liberdade para investigar. Lula apareceu defendendo apurações sem blindagem e acrescentou: “Quem não deve não teme”.
O programa também disse que Flávio foi “flagrado pedindo R$ 134 milhões para Daniel Vorcaro”, descrito como banqueiro preso no caso do Banco Master. A propaganda terminou com o slogan “Flávio, o pior dos Bolsonaros”.
A estratégia do senador e de seus aliados é associar Lula a Moraes, relator dos processos que resultaram na condenação de participantes dos atos de 8 de janeiro. A campanha, porém, não atribui diretamente o avanço nas pesquisas à crise no Supremo. Aliados dizem que o crescimento ocorreu principalmente entre as mulheres, grupo no qual Flávio tinha maior resistência e passou a registrar mais adesão.



