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Política

PT prepara material religioso para tentar recuperar apoio evangélico a Lula

Conteúdos usam versículos bíblicos e políticas públicas para dialogar com eleitores evangélicos antes da eleição de 2026.

PT prepara material religioso para tentar recuperar apoio evangélico a Lula
Foto: Reproduçao

O PT prepara uma série de materiais voltados ao eleitorado evangélico para tentar reduzir a rejeição a Lula nesse segmento. Um dos conteúdos começa com a pergunta “Por que votamos em Lula?” e apresenta argumentos religiosos e sociais para defender a reeleição do presidente em 2026.

A estratégia parte de um cenário desfavorável ao partido. Desde 2018, o adversário concentra 7 em cada 10 votos evangélicos no segundo turno. Jair Bolsonaro confirmou esse padrão, e pesquisas eleitorais recentes indicam possibilidade de repetição com seu filho, Flávio. Lula mantém, em média, o apoio de 3 em cada 10 eleitores evangélicos.

O material foi elaborado por um núcleo ligado à campanha lulista. A aposta é alcançar um eleitorado majoritariamente feminino, negro e de baixa renda, características associadas à preferência por Lula, mas cuja identidade religiosa pode reduzir essa simpatia. A rejeição tende a ser maior entre os eleitores evangélicos.

Versículos e escolha individual

Um dos panfletos cita Provérbios 29:2 — “quando os justos governam, o povo se alegra” — e João 13:34 — “amem uns aos outros”. O texto relaciona a eleição ao amor ao próximo e afirma que o voto deve ser livre, consciente, responsável e secreto, sem imposição de pastor, liderança ou conhecido.

A mensagem também sustenta que somente o eleitor e Deus sabem sua escolha na urna eletrônica. O voto é apresentado como um direito a ser exercido com consciência e oração, considerando o eleitor, sua família e o Brasil.

Luís Sabanay, reverendo presbiteriano e coordenador do Nept (Núcleo de Evangélicos do PT), afirma que a campanha de 2022 deixou um aprendizado. Naquele ano, a mensagem dirigida aos evangélicos dizia que o eleitor que apoiava Lula não estava sozinho, em referência à pressão para votar em Bolsonaro.

Para 2026, a proposta é dar visibilidade aos apoiadores evangélicos de Lula e apresentar as razões de sua escolha, estimulando o diálogo entre os próprios fiéis. Sabanay diz que, na reta final de 2022, a vantagem de Bolsonaro entre os evangélicos caiu de 38 para 30 pontos percentuais.

Políticas públicas e distribuição

Outro conteúdo se chama “Como será o futuro do nosso país?”. A peça conecta versículos bíblicos a políticas públicas e a conquistas sociais atribuídas ao governo Lula. Um dos exemplos usa Timóteo 5:18 — “o trabalhador é digno do seu salário” — para defender a valorização salarial e o fim da escala 6x1.

As imagens também contrastam dois caminhos. Em uma estrada bifurcada, a via da esquerda leva a flores, uma família feliz, um posto do SUS e tempo ensolarado. A da direita mostra uma tempestade de raios, um prédio com a palavra “vacinação” riscada, uma placa com a expressão “fila do osso” e uma multidão desassistida.

O conteúdo deverá chegar nos próximos dias aos comitês eleitorais da campanha em seis formatos: um folder, duas filipetas e três adesivos. A meta informada por Sabanay é imprimir pelo menos dez milhões de cópias somando todos os materiais.

O coordenador do Nept também relata uma estratégia de diálogo permanente com mais de 60 candidaturas evangélicas do PT, além de nomes lançados por partidos aliados. Entre os quadros citados está a deputada Benedita da Silva, que tenta migrar para o Senado. Seu suplente, o cantor gospel Kléber Lucas, participou com a primeira-dama Janja do ato de lançamento da chapa Lula-Geraldo Alckmin.

Histórico e avaliação

Esta é a terceira tentativa do núcleo petista de lançar um manifesto dirigido ao público evangélico. A primeira ocorreu em 2002, com a Carta aos Evangélicos. Em 2022, a equipe de Lula usou o mote “é tempo de esperança, o Brasil tem jeito - o que os evangélicos realmente querem para o Brasil”.

Dados agregados pelo Estudo Eleitoral Brasileiro, da Unicamp, mostram que os evangélicos deram a Lula 63% dos votos no segundo turno de 2002 e 65% em 2006. Sabanay reconhece que o cenário atual é desafiador, mas afirma que a pauta de costumes está menos presente do que nas duas eleições anteriores. Por isso, o núcleo prioriza questões concretas que afetam a vida das famílias.

O sociólogo Alexandre Landim, doutor pela Universidade Federal do Ceará e autor de “O Deus das Urnas: Evangélicos e Católicos em Eleições Presidenciais no Brasil”, questiona a eficácia da iniciativa. Para ele, a relação entre o PT e a base evangélica se deteriorou novamente nos últimos anos, e uma aproximação feita na véspera da eleição pode ser percebida como oportunismo.

Landim avalia que o partido precisaria oferecer às igrejas um espaço de participação e trabalho de base nas comunidades. Ele também aponta a teologia da prosperidade como obstáculo, porque parte do eleitorado evangélico tende a associar a melhoria de vida ao esforço individual, e não a políticas públicas ou ações governamentais.

O sociólogo afirma que um panfleto lançado em cima da hora pode soar falso e afastar o eleitor religioso. Ele compara a situação à campanha de José Serra em 2010, quando o tucano distribuiu santinhos com referências religiosas e, após vir à tona um aborto que sua esposa teria feito, foi desmoralizado e perdeu votos.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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