A crise no Supremo Tribunal Federal (STF) elevou a preocupação de aliados de Luiz Inácio Lula da Silva com possíveis efeitos sobre a campanha do presidente. Pesquisas de intenção de voto realizadas após o acirramento dos ânimos na corte indicaram avanço de Flávio Bolsonaro (PL), enquanto o cenário de empate técnico deixou a base petista em alerta.
A menos de um mês do primeiro turno, o presidente do PT, Edinho Silva, convocou reuniões com a Executiva Nacional, partidos aliados e centrais sindicais. Os encontros têm como objetivo discutir uma reação da campanha e corrigir a estratégia eleitoral.
A reunião com os partidos da base está prevista para quinta-feira (10). No mesmo dia, a Executiva Nacional, responsável pelas principais deliberações sobre a campanha, também deve se reunir. O encontro com as centrais sindicais está marcado para sexta-feira (11). Será a primeira reunião de Lula com a base desde o início da campanha.
Aliados históricos, entre eles movimentos sociais, sindicatos e partidos do campo progressista, reclamam de pouca participação e pedem um papel semelhante ao que tiveram na campanha vitoriosa de 2022. Dentro do PT e da equipe presidencial, também há queixas sobre a falta de vigor da campanha, sem consenso sobre se o problema está na coordenação ou no próprio candidato.
Reclamações sobre a campanha
Os aliados citam demora para responder a temas urgentes. Na quarta-feira (9), Lula publicou nas redes sociais uma cobrança pela divulgação de toda a investigação do caso Master, mas a manifestação ocorreu depois de dias de reação defensiva.
Também são mencionados a escassez de material de campanha e o atraso na distribuição de recursos do fundo partidário. Sobre a atuação de Lula em eventos, há críticas à resistência em ler discursos, o que, segundo os aliados, deixa o público por horas em pé, muitas vezes sob sol forte.
A participação da primeira-dama Janja em eventos é outro ponto de contestação. Aliados afirmam que sua presença ao microfone reduz o espaço para mulheres que poderiam criar maior vínculo com os participantes.
Em comparação com o mesmo período de 2022, aliados observam que Lula já havia realizado reuniões com representantes da sociedade, movimentos sindicais e o conselho da campanha. Um interlocutor atribui a diferença ao fato de que, na disputa anterior, Lula não ocupava a Presidência e podia concentrar seus esforços na campanha.
A corrente Democracia Socialista defende mudanças na forma de apresentar o programa econômico do próximo mandato. Em carta, o grupo propõe um modelo de desenvolvimento associado à soberania, à redução das desigualdades e à sustentabilidade ambiental, além de defender que o PT trate conjuntamente da agenda democrática e do enfrentamento às desigualdades aprofundadas pelo neoliberalismo.



