A Nestlé pode comprar marcas consideradas estrategicamente importantes enquanto simplifica seu portfólio, afirmou o presidente-executivo Philipp Navratil. A companhia também está deixando o negócio de vitaminas e vendeu recentemente uma participação em sua operação de água engarrafada.
Navratil disse que a revisão não significa apenas a venda de ativos. "Como sempre, estamos abertos a adquirir empresas que sejam estrategicamente importantes", afirmou, sem detalhar possíveis negócios.
A empresa suíça possui mais de 2.000 marcas, entre elas Nescafé, Maggi e KitKat. Ao mesmo tempo, passou a reformular produtos, buscar redução de custos e retirar itens que os consumidores não aceitam pagar mais.
Pressão sobre fornecedores
O executivo afirmou que o conflito entre EUA e Israel contra o Irã, que já dura seis meses, teve impacto direto limitado nas vendas da Nestlé. O Oriente Médio representa cerca de 2% a 3% do faturamento da companhia, estimado em 90 bilhões de francos suíços (R$ 569,4 bilhões).
A avaliação de Navratil é que os efeitos mais relevantes aparecem nos custos de energia, frete e matérias-primas. "Todos os nossos fornecedores terão algum aumento de custos", disse na quarta-feira (9). Parte dessa pressão, segundo ele, será repassada à empresa e poderá exigir aumentos de preços para os consumidores.
A FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) alertou para a possibilidade de um novo período de inflação alimentar. O Índice de Preços de Alimentos da organização teve média de 131,1 pontos em julho, ante 130,3 pontos em junho. Foi o maior nível desde janeiro de 2023.
Rotulagem na Índia
Em outro tema, Navratil defendeu a participação dos fabricantes nas discussões sobre advertências para açúcar, sal e gordura na parte frontal das embalagens na Índia. Ele afirmou que a Nestlé já retirou milhares de toneladas desses componentes de seus produtos, mas disse que a rotulagem deve considerar corretamente o tamanho das porções.



