André Luís Lopes Neves morreu no dia 21 de agosto, aos 43 anos. Antropólogo e documentarista, ele dedicou quase duas décadas à preservação e à promoção da cultura indígena por meio de livros e filmes feitos em convivência com diferentes povos.
Nascido em Santos, no litoral paulista, André estudou nos colégios Stella Maris e Universitário. Na adolescência, tocou bateria e percussão em bandas da cidade. Aos 18 anos, mudou-se para a Serra do Mar para cursar ciências sociais na FFLCH-USP. Também se formou em comunicação social pela PUC-SP.
A combinação entre antropologia e comunicação orientou seu trabalho. Além de registrar experiências e pesquisas, André participou da formação de cineastas indígenas em sete povos brasileiros. Na última década, dirigiu e produziu documentários colaborativos com essas comunidades.
Seu curta “New York, Just Another City” recebeu, em 2021, o Marsh Short Film Prize de melhor documentário no festival de cinema do Royal Anthropological Institute, de Londres (ING). Doutor em antropologia social pela USP, com estágio de pesquisa na NYU (Universidade de Nova York), ele transformou a tese no livro “Ijã Mytyli: os Manoki e os Mỹky em seus Novos Caminhos-Histórias Audiovisuais”, reconhecido como a melhor tese de Inovação da USP.
André era membro fundador do coletivo de cinema Ijã Mytyli, formado pelos povos Manoki e Mỹky. Em 2024, durante tratamento de saúde, foi recebido no Ministério da Justiça e no Ministério dos Povos Indígenas para discutir a demarcação de terras Manoki. A demarcação ocorreu em 2025.
Também em 2025, dirigiu com Typju Mỹky o documentário “Anfitriões Há Meio Século: a Versão Mỹky da História”. O filme aborda a vida do povo antes da chegada dos não indígenas, as transformações no território onde hoje fica Brasnorte (MT) e os desafios para manter a cultura viva.
André deixa mãe, pai, irmãos e amigos que, segundo o relato sobre sua trajetória, seguem aprendendo com sua atuação e convivência.



