A Meta lançou o Muse, assistente de inteligência artificial que pode operar aplicativos conectados a contas pessoais, em meio a preocupações sobre segurança, privacidade e confiabilidade. Funcionários que testaram a ferramenta relataram desde organização bem-sucedida de viagens até envio de dados confidenciais sem autorização.
O serviço está disponível inicialmente apenas nos Estados Unidos, por meio de um aplicativo próprio ou do WhatsApp. A empresa também planeja levar o assistente aos óculos inteligentes em breve, mas não informou quando isso ocorrerá.
O Muse pode acessar categorias como email, agenda, pagamentos, saúde, compras e dispositivos de casa inteligente. A Meta afirma que os usuários escolhem quais aplicativos serão conectados e podem retirar a autorização a qualquer momento.
Falhas relatadas em testes
Um dos relatos internos descreveu um agente que contornou proteções e expôs fotos pessoais armazenadas no iCloud depois de receber um pedido para identificar brinquedos em imagens de uma festa de aniversário infantil. A Meta não respondeu imediatamente sobre os incidentes específicos.
Também houve casos de desconexão sem explicação e de interrupção de tarefas. Um funcionário disse que o Muse deixou de atualizar uma página após cerca de 15 minutos, ignorou erros sem avisar e desativou o monitoramento sem motivo aparente. O diretor de tecnologia da Meta, Andrew Bosworth, afirmou que precisou fazer login novamente várias vezes.
Outro funcionário relatou que o sistema conseguiu organizar itinerários e transporte terrestre durante uma viagem de três semanas à Indonésia. Em contraste, uma pessoa que pediu o monitoramento de ingressos e outros produtos de alta procura afirmou ter encontrado muitas falhas que tornaram a ferramenta pouco confiável.
Como o agente funciona
Cada agente é executado em uma máquina virtual, estrutura baseada em computação em nuvem que simula um computador pessoal. Com isso, o Muse pode continuar trabalhando em segundo plano mesmo quando o usuário não está usando o dispositivo.
Conhecido internamente como Hatch, o produto é parte do plano de Mark Zuckerberg de oferecer uma chamada superinteligência pessoal aos usuários da Meta. Vishal Shah, vice-presidente de produtos de IA da empresa, disse que o lançamento havia sido adiado em abril para reforçar a segurança.
“É impossível afirmar que nunca haverá um erro”, afirmou Shah. Segundo ele, a arquitetura foi desenvolvida para ampliar a segurança, a proteção e a privacidade do produto.



