O Brasil ampliou de 37% em 2022 para 81% em 2025 a parcela de alunos matriculados em escolas que proíbem o uso de celulares. O avanço ocorreu enquanto a capacidade das unidades de ensino de integrar tecnologias digitais ao aprendizado permaneceu abaixo da média internacional, segundo o Pisa 2025, divulgado pela OCDE nesta terça-feira (8).
A política brasileira contra celulares em sala de aula começou em janeiro de 2025. No conjunto dos países da OCDE, a proporção de estudantes em escolas com a mesma restrição passou de 34% para 49% no período.
O Pisa indica que alunos de escolas que proíbem celulares nas dependências têm cerca de 13% menos chances de relatar distração digital durante as aulas, considerando a média dos países da organização.
Capacidade digital das escolas
O Indicador de Capacidade Digital das Escolas é calculado a partir de respostas de diretores sobre cinco aspectos: existência de uma plataforma de ensino online eficaz; habilidade técnica e pedagógica dos professores; recursos para aprender a usar ferramentas digitais; incentivos para incorporar tecnologia ao ensino; e tempo para preparar aulas com esses recursos.
O índice tem média internacional fixada em zero. O Brasil registrou -0,86, enquanto a média da OCDE ficou em -0,03. Os Emirados Árabes Unidos tiveram 0,98, Singapura registrou 0,91 e o Quênia, -1,16. Na América Latina, o Chile alcançou -0,61.
O Pisa avalia estudantes de 15 anos de países e economias participantes. Em 2025, ciências foi a área escolhida para uma análise mais detalhada. O estudo também reúne informações sobre o ambiente escolar e o uso de tecnologias por meio de questionários respondidos por alunos e diretores.
Uso de ferramentas digitais
Mesmo com a menor capacidade institucional para integrar tecnologia ao ensino, 48% dos estudantes brasileiros afirmam usar chatbots de inteligência artificial ao menos uma vez por semana em tarefas escolares. A média da OCDE é de 46%.
Na escola, os alunos do Brasil passam 1,3 hora por dia usando dispositivos digitais para aprender, contra 1,7 hora na média da organização. Em atividades de lazer, os índices são de 1 hora no Brasil e 1,1 hora na média dos países da OCDE.
Nas aulas de ciências, 25% dos estudantes brasileiros relatam distração com dispositivos digitais, ante 28% na média da OCDE. Entre os alunos brasileiros que relatam essa distração, o desempenho na disciplina é, em média, 19 pontos menor. Nos países observados, a diferença média é de 11 pontos.



