A ação da Polícia Federal relacionada ao caso “Dark Horse”, autorizada por Flávio Dino, agravou o confronto entre ministros do Supremo Tribunal Federal e passou a se sobrepor à disputa eleitoral entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro.
O episódio começou quando André Mendonça divulgou um relatório com suspeitas sobre Alexandre de Moraes e sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Mendonça tomou a iniciativa depois de saber que Moraes havia acessado o documento sigiloso. O momento da divulgação favoreceu Flávio Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro, que indicou Mendonça ao Supremo.
Flávio politizou o caso e associou Lula a Moraes, mas também é alvo de suspeitas no caso Master. Até agora, não apresentou a contabilidade do apoio que afirma ter dado ao filme relacionado a Vorcaro. A produção recebeu dinheiro público, conforme as informações disponíveis.
A produtora procurou Mendonça para tentar levar ao Supremo o cerco da polícia paulista ao caso. Dino, porém, assumiu a frente ao relacionar o episódio à investigação sobre emendas parlamentares sob sua responsabilidade. A ofensiva pode expor Flávio a novas revelações, enquanto o PT já calcula os efeitos políticos da crise.
Fachin tenta conter o conflito
O presidente do Supremo, Edson Fachin, suspendeu na quarta-feira (9) as medidas adotadas pelos dois ministros em conflito. Também retirou Moraes da relatoria do inquérito das fake news, mas preservou as decisões tomadas até então. Fachin marcou para terça (15) uma sessão para discutir se Moraes será investigado.
A decisão ocorreu depois de Moraes e Mendonça trocarem acusações. Moraes havia conduzido a condenação de Jair Bolsonaro e vinha em confronto com Mendonça. Após a divulgação das relações com Vorcaro, Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal e do chefe de inteligência do órgão, sob a alegação de que atuavam em conjunto com Moraes.
Moraes cancelou um pronunciamento que faria nesta quinta, uma hora depois de anunciá-lo. Um conhecido do ministro desde o período em que ambos estavam ligados à Secretaria de Segurança de São Paulo afirmou nunca tê-lo visto tão pressionado, mas disse que isso não indica uma capitulação.
O mesmo interlocutor avaliou que Mendonça ainda terá a regularidade de suas decisões analisada e que Flávio tem mais a perder do que Lula no caso Vorcaro. A tentativa de trégua de Fachin durou poucas horas, e o caso Dark Horse voltou ao centro da crise entre os ministros.



