A médica Ana Claudia Quintana Arantes defende que as pessoas conversem sobre a própria morte mesmo quando não estão doentes. Para ela, tratar do assunto com amigos e familiares pode ajudar a definir escolhas e preparar quem ficará responsável por decisões futuras.
“Mesmo que você não esteja doente, é importantíssimo conversar sobre isso”, afirma Ana Claudia. A médica sugere que o tema seja incluído em situações cotidianas, como uma refeição em família, para que uma conversa difícil passe a ser tratada com naturalidade.
Formada pela USP, com residência em geriatria, pós-graduação em psicologia e especialização em cuidados paliativos, Ana Claudia atua há três décadas. Ela é autora de “A Morte É Um Dia que Vale a Pena Viver”, entre outros livros, e reúne sua experiência em conteúdos sobre cuidados paliativos, luto e acompanhamento de pessoas nos momentos finais da vida.
Diretivas antecipadas de vontade
A preparação envolve registrar o que cada pessoa considera importante e quais procedimentos aceita ou rejeita. Esse registro pode ser feito por meio do testamento vital ou das diretivas antecipadas de vontade.
Segundo a médica, o documento permite indicar preferências e limites em dimensões físicas, emocionais, sociais, espirituais e familiares. A definição antecipada pode reduzir a pressão sobre os parentes, que terão de tomar providências e lidar com o luto.
A conversa, porém, precisa ocorrer antes da morte. “O fato de você não olhar para a sua morte não significa que você não vai morrer”, diz Ana Claudia. Para ela, adiar a reflexão pode dificultar decisões que precisarão ser tomadas posteriormente.
A médica afirma que abordar a morte não significa agir com morbidez. Seu trabalho em cuidados paliativos busca tratar dos aspectos práticos e espirituais desse período e ampliar o bem-estar dos pacientes.



