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Vinte anos depois, participantes de campanha de Lula contam como votam hoje

Pessoas que apareceram na propaganda de 2002 seguiram trajetórias diferentes e reavaliam o voto e as expectativas daquele período.

Vinte anos depois, participantes de campanha de Lula contam como votam hoje
Foto: Sergio Ranalli/Folhapress

A propaganda eleitoral que levou mulheres grávidas, mães e crianças a uma plantação de trigo em 2002 produziu efeitos diferentes entre os participantes. Mais de duas décadas depois, alguns mantêm o apoio ao PT; outros se afastaram de Luiz Inácio Lula da Silva e ainda procuram alternativas à polarização política.

Juliane Souza tinha 26 anos e esperava Gabriela quando participou da gravação. Modelo, foi chamada pela agência que a representava. Embora não fosse militante, ficou emocionada com a produção e votou em Lula naquele ano. "Tinha aquela esperança de que agora vai, agora muda", lembra.

Hoje, aos 49 anos, Juliane trabalha como motorista de aplicativo em Maringá e não pretende votar novamente em Lula. Ela afirma que a aprovação ao presidente durou apenas dois ou três anos. Também pondera que as mudanças em sua vida não podem ser atribuídas somente aos governos que vieram depois da filmagem.

A principal ruptura ocorreu em 2008, quando ficou viúva e precisou voltar ao mercado de trabalho. Na pandemia, com a redução dos passageiros, entregou máscaras produzidas pela mãe e levou pacientes para tratamentos em Curitiba e São Paulo. As duas fontes de renda ajudaram a manter a família naquele período.

Os três filhos chegaram ao ensino superior. A mais velha se formou em biomedicina, Gabriela tornou-se publicitária e o caçula cursa análise e desenvolvimento de sistemas. Gabriela, que estava na barriga da mãe durante a gravação, tem 23 anos e também busca segurança financeira. "A gente nunca passou fome, longe disso. Mas você não tem paz", afirma.

Mãe e filha acompanham nomes como Renan Santos, do Missão, e Ronaldo Caiado, do PSD, mas ainda não escolheram em quem votar.

A campanha e a eleição de 2002

A peça foi exibida no início de outubro de 2002, poucas semanas antes da primeira vitória de Lula em uma eleição presidencial. Cerca de 50 pessoas participaram da gravação, realizada em uma fazenda na região de Maringá, no noroeste do Paraná. Algumas mulheres não estavam grávidas e usavam barrigas de espuma. O pagamento ficou entre R$ 25 e R$ 40, valores equivalentes hoje a aproximadamente R$ 100 e R$ 160.

Modelos, mães e crianças atravessaram o campo ao som de “Bolero”, composto por Maurice Ravel. Quando a música baixava, Chico Buarque perguntava que país os eleitores queriam deixar para a próxima geração. Ao final, o cantor aparecia na tela.

Duda Mendonça (1944-2021), responsável pela campanha, criou o comercial para suavizar a imagem de Lula, que concorria à Presidência pela quarta vez. A estratégia incluía uma aproximação ao centro, um discurso de conciliação e o slogan “a esperança vai vencer o medo”.

José Dirceu (PT-SP), coordenador da campanha, afirmou que o filme fazia parte da troca de mensagens negativas por uma comunicação baseada em emoção e futuro. A produção, segundo ele, foi organizada em torno da família, da mulher e do futuro do país.

Com José Alencar (PL-MG) como candidato a vice, Lula venceu o primeiro turno e derrotou José Serra (PSDB) em 27 de outubro, com 61,3% dos votos válidos. Foi o primeiro presidente eleito pelo PT.

Avaliações diferentes sobre os governos

Uma empresária de Maringá que participou da gravação pediu para não ser identificada. Selecionada por uma agência, ela diz que nunca teve vínculo com o PT e avalia que o país piorou muito sob administrações do partido. Caso Lula continue no cargo, afirma que o Brasil só terá a perder.

L., que tinha dois anos e apareceu no colo da mãe, hoje tem 26 anos e nunca viu o comercial inteiro. Estudou em escolas públicas desde a creche e ingressou na faculdade com uma bolsa integral do Prouni, programa criado no primeiro governo Lula para oferecer bolsas a estudantes de baixa renda em instituições privadas.

A pessoa diz que a mudança de governo beneficiou sua família, que teve acesso a programas sociais durante a infância. Hoje, identifica-se com ideias de centro-esquerda e considera educação e trabalho temas centrais. Na eleição presidencial, enxerga Lula como a opção menos pior. Também afirma ter se distanciado de discursos de direita e descreve Maringá como uma cidade conservadora.

Outra participante, Tatiana Vanessa Soria, trabalhava em uma agência de modelos quando foi chamada. Seu filho Rafael, ainda bebê, aparecia em seus braços. Aos 48 anos, Tatiana é bióloga, mestre, doutora e professora da rede estadual do Paraná. Desde 2002, vota em candidatos do PT nas eleições presidenciais.

A condução de Jair Bolsonaro (PL) durante a pandemia de Covid levou Tatiana a fazer cursos de formação política, estudar autores marxistas e ingressar no PSOL. Ela se afastou posteriormente do partido, mas continua votando no PT por considerar a legenda a força eleitoral com maior possibilidade de vitória e mais próxima de suas ideias.

Entre 2014 e 2015, participou do Ciência sem Fronteiras, programa criado no governo Dilma Rousseff (PT). O doutorado-sanduíche nos Estados Unidos foi financiado por uma bolsa de um ano. Nesse período, Rafael frequentou uma escola americana e aprendeu inglês.

Depois do ensino médio em uma escola pública de Maringá, Rafael prestou vestibular aos 18 anos. Atualmente, mora em outra cidade e estuda em uma universidade pública. Para Tatiana, a trajetória do filho reforça o papel da educação em suas escolhas políticas e sua convicção de que foi correto votar em Lula em 2002.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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