A discussão sobre a segurança da inteligência artificial ganhou dimensão internacional depois que a Anthropic relatou usos de seus modelos Claude em desenvolvimento de armas, operações cibernéticas, vigilância e fraude. O relatório antecedeu um artigo em que Dario Amodei, CEO da empresa, defendeu que os desenvolvedores desacelerem o avanço dos sistemas.
As reações expuseram posições diferentes entre os principais polos de desenvolvimento da tecnologia. Os EUA defenderam a manutenção da liderança no setor; a China alertou para riscos à segurança nacional; e autoridades europeias disseram que a inovação deve continuar, mas com comprovação de segurança e regras capazes de acompanhar a evolução dos sistemas.
Trump rejeita desaceleração
Nesta segunda-feira (14), Donald Trump afirmou que os EUA já dispõem de poderes amplos para responsabilizar criminalmente e regular empresas de inteligência artificial. Também disse haver uma “conspiração doentia” contra a tecnologia.
No domingo (13), ao ser questionado sobre a necessidade de desacelerar ou ampliar a regulamentação da IA, Trump afirmou que os EUA precisam continuar na liderança. Ele disse que os críticos levantam cenários que não devem ocorrer e declarou: “quem vencer na IA vence”.
Trump também afirmou que os EUA estão à frente da China e que o país deve preservar sua posição no setor. A declaração foi dada a repórteres em seu campo de golfe na Irlanda.
China associa IA a risco político
O ministro da Segurança do Estado da China, Chen Yixin, afirmou que potências estrangeiras usam tecnologias generativas para produzir rumores políticos e disseminar informações prejudiciais. Segundo ele, essas ações ameaçam a segurança política, institucional e ideológica chinesa.
O alerta foi feito enquanto Xi Jinping tem um encontro marcado com Trump em Washington neste mês, em uma reunião voltada à segurança da inteligência artificial. China e EUA disputam a liderança no desenvolvimento da tecnologia.
Europa quer inovação com fiscalização
A Comissão Europeia apoia o desenvolvimento da inovação em IA, mas exige que as empresas demonstrem que seus serviços são seguros, afirmou nesta segunda-feira (14) o porta-voz Thomas Regnier.
Na Alemanha, o governo disse que interromper o desenvolvimento da tecnologia não é uma opção viável para a Europa. Para o ministério responsável por assuntos digitais, mais avanços são necessários para fortalecer a autonomia tecnológica europeia.
O ministério afirmou acompanhar os avanços globais e levar a sério os alertas dos principais desenvolvedores. Também advertiu que uma IA capaz de sair do ambiente controlado de testes e acessar outros sistemas por conta própria criaria “um cenário de ameaça inteiramente novo”, exigindo novas medidas das autoridades.
A Alemanha defendeu ainda a coordenação internacional para criar regras e fiscalizar a tecnologia, com participação dos EUA e da China. O governo alemão leva o tema às discussões do G7.
Reino Unido pede decisões baseadas em evidências
O porta-voz do primeiro-ministro britânico Andy Burnham disse na segunda-feira (14) que é positivo o debate aberto entre as principais empresas de IA sobre os riscos futuros da tecnologia. Para o governo, as decisões devem se apoiar em evidências.
O porta-voz afirmou que as regras atuais podem deixar de ser suficientes conforme a IA avance. Eventuais medidas futuras, segundo ele, deverão considerar os riscos a serem enfrentados, sem partir de especulações.



