O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes pediu ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, o envio de uma cópia integral do celular de Daniel Vorcaro apreendido na Operação Compliance Zero. O aparelho deverá ser usado como base para o julgamento marcado para terça-feira (15), quando o plenário deve analisar um relatório sobre mensagens envolvendo Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.
Mendes afirmou que o pedido não envolve a divulgação do conteúdo. Segundo ele, o material permanecerá sob restrição rigorosa, com acesso limitado aos gabinetes autorizados e submetido ao dever de sigilo. O ministro declarou que “não se cogita de qualquer levantamento de sigilo”.
O telefone é um iPhone 17 Pro apreendido pela Polícia Federal em 18 de novembro de 2025, quando Vorcaro foi preso pela primeira vez. A cópia do conteúdo está no gabinete do ministro André Mendonça há mais de seis meses, conforme Gilmar Mendes.
Divergência entre ministros
Mendonça havia enviado um ofício defendendo que a abertura e o compartilhamento de todo o conteúdo extraído do aparelho poderiam tumultuar o julgamento e colocar em risco o andamento e o resultado das investigações. Ele também afirmou que os ministros já tinham acesso ao material necessário para a sessão.
Gilmar Mendes disse ter tomado conhecimento da determinação de Cristiano Zanin e sustentou que, se um integrante do colegiado tem acesso às informações, os demais ministros também podem consultar o conteúdo que fundamentará a decisão. Para Mendes, a verificação da mídia é necessária para avaliar possíveis omissões, contradições e a integralidade do material recuperado, além de permitir a análise do contexto das mensagens.
Zanin, por sua vez, afirmou que não há hierarquia entre os ministros do STF e que as provas pertencem ao plenário e a seus integrantes, não a um ministro específico. Ele disse precisar do conteúdo completo para formar sua convicção e julgar o caso na terça-feira (15).
A determinação de entrega à Polícia Federal foi fixada até as 23h de domingo, sem impedir que outros gabinetes façam o mesmo pedido para obter os dados.
Julgamento no plenário
O presidente da Corte, Fachin, convocou o plenário nesta quarta-feira (9) para discutir o relatório da Polícia Federal na terça-feira (15). O documento foi elaborado a pedido de André Mendonça e apontou uma suposta relação entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro.
Os ministros deverão avaliar a validade do relatório. Parte deles questiona a decisão de Mendonça de investigar um colega sem autorização do plenário. O caso é considerado inédito no STF e provocou articulações sobre a possibilidade de abertura de uma investigação contra Moraes.
Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin são apontados como alinhados com Moraes. André Mendonça teria o apoio de Luiz Fux e Kassio Nunes Marques. Há incerteza sobre as posições de Fachin e Cármen Lúcia. Dias Toffoli teria indicado que tende a não participar, por considerar o caso um desdobramento do Master e por já ter declarado suspeição em desdobramentos desde que deixou a relatoria das investigações.



