O Ministério da Segurança do Estado da China afirmou que o avanço da inteligência artificial pode ameaçar a segurança política e social do país. Em sua primeira manifestação pública sobre o tema, o órgão também mencionou riscos para as defesas cibernéticas, dados sensíveis e o aparato militar.
A declaração foi divulgada no domingo (13) pelo ministro Chen Yixin. Ele disse que conteúdos produzidos por inteligência artificial generativa, como áudios e vídeos deepfake, textos, imagens e redes automatizadas de perfis podem ser usados para espalhar rumores políticos e estimular divisões em larga escala.
“Essas atividades constituem um ataque à opinião pública e uma guerra cognitiva contra a China”, afirmou Chen Yixin.
O ministério também alertou para a possibilidade de empresas chinesas exporem informações sensíveis ao utilizar ferramentas estrangeiras de inteligência artificial. A avaliação pode anteceder regras mais rígidas para o uso de modelos desenvolvidos fora do país em setores considerados sensíveis.
Empresas estatais chinesas e companhias dos setores financeiro e de saúde já têm limitações para empregar tecnologias estrangeiras, embora a aplicação dessas regras varie.
Debate sobre segurança da IA
A manifestação amplia o debate público de Pequim sobre a segurança da inteligência artificial. Até agora, a discussão costuma ser liderada pela Administração do Ciberespaço da China, com foco em questões regulatórias e técnicas.
Funcionários de órgãos reguladores, diplomatas e acadêmicos ligados a políticas de tecnologia e governança de IA afirmam que Pequim demonstra preocupação crescente com vulnerabilidades cibernéticas. A avaliação ocorre após avanços da Anthropic e da OpenAI, cujos novos modelos apresentaram capacidades avançadas de invasão de sistemas.
Autoridades chinesas também trataram do tema em conversas recentes com representantes do governo e empresas dos Estados Unidos. Nessas negociações, fizeram oposição a possíveis medidas de Washington para impedir o uso de modelos chineses de código aberto.
Donald Trump e Xi Jinping devem se encontrar ainda neste mês nos Estados Unidos. A segurança da inteligência artificial está entre os temas previstos para a agenda da reunião.
O alerta chinês não afirmou que a tecnologia poderia causar a extinção da humanidade nem pediu que empresas do país reduzissem o ritmo de desenvolvimento. No fim de semana, Dario Amodei, presidente-executivo da Anthropic, defendeu que o setor diminuísse a velocidade de aprimoramento dos modelos. Sam Altman e Elon Musk apoiaram a proposta.
Na segunda-feira (14), o Global Times criticou a avaliação de Amodei de que uma liderança chinesa em inteligência artificial representaria perigo para os Estados Unidos e o mundo. O jornal afirmou que essa posição poderia transformar a segurança da IA em uma disputa geopolítica, em vez de tratá-la como um desafio que exige cooperação.



