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PF aponta uso de contas de vítimas em vendas de abuso infantil online

Investigadores dizem que criminosos usam contas de terceiros e anunciam material ilegal em redes sociais e grupos privados.

PF aponta uso de contas de vítimas em vendas de abuso infantil online
Foto: Reprodução

Criminosos que comercializam material de abuso sexual infantil usam contas bancárias de ex-namoradas, crianças ou adolescentes vítimas para movimentar pagamentos, segundo a Polícia Federal. A prática busca dificultar a ligação direta entre o autor do crime e as transações.

A investigação também identificou anúncios em redes sociais usados para promover a venda do conteúdo ilegal. No Telegram, pacotes são oferecidos por valores que começam em R$ 10. Um pacote com 3 GB de vídeos e fotos custa R$ 10, enquanto outro, com 15 GB, é vendido por R$ 35. Há ainda ofertas de US$ 25 (cerca de R$ 130), US$ 11,99 (cerca de R$ 62) e US$ 17,50 (cerca de R$ 90).

Antes da compra, os vendedores enviam uma prévia por meio de vídeo autodestrutivo, apagado depois da primeira visualização. Após a confirmação do pagamento, os arquivos são encaminhados na própria conversa. Os grupos anunciam categorias que incluem violência sexual, como estupro e incesto. Um dos anúncios oferece acesso “vitalício” por R$ 20.

Como o dinheiro é movimentado

De acordo com investigadores da PF, redes criminosas também migram para bancos digitais e fintechs para tentar evitar exigências de órgãos de controle, como o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) e o Banco Central. Em alguns casos, os grupos abrem empresas do setor financeiro para movimentar recursos sem guardar dados ou responder às autoridades.

Um vendedor afirmou usar a conta bancária de uma menina e forneceu como chave PIX um endereço de e-mail com final “@estudante.rs.gov.br”. A pessoa mencionada no endereço não foi localizada. Apesar da tentativa de ocultar a origem dos pagamentos, as transações via PIX deixam registros da conta de quem paga, que podem ajudar a polícia a identificar compradores.

Bancos tradicionais podem classificar como suspeitas operações atípicas ou realizadas a partir de diferentes regiões e, nesses casos, bloquear as contas.

Respostas das plataformas

O Telegram informou que proíbe a distribuição desse tipo de material e disse ter removido 339.760 grupos e canais relacionados em 2026. A empresa afirmou que combina moderação humana com a análise de mídias públicas e a comparação com bancos de dados de arquivos previamente removidos.

O TikTok declarou que remove rapidamente as publicações e bane permanentemente as contas envolvidas. A plataforma informou que 99,8% dos conteúdos que violaram suas políticas sobre abuso sexual e físico de jovens foram removidos de forma proativa no primeiro trimestre de 2026.

Casos de violência contra crianças e adolescentes podem ser denunciados à Polícia Militar, pelo 190, quando houver risco imediato; ao Samu, pelo 192, em pedidos urgentes; ao Disque 100, que recebe denúncias anônimas; às delegacias de polícia, ao Ministério Público e aos conselhos tutelares. Delegacias especializadas e profissionais de saúde também podem receber ou encaminhar denúncias. Há ainda atendimento por videochamada em Língua Brasileira de Sinais (Libras).

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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