A anafilaxia é uma reação alérgica grave e imediata que pode afetar vários sistemas do organismo, provocar falta de ar, queda brusca da pressão e choque. Sem atendimento rápido, o quadro pode levar à morte em minutos.
O risco foi vivido por Erivelton Gomes, que tinha 34 anos e morava em Várzea Grande (MT). Em uma viagem a Alagoas com o marido, Lucas Cerqueira, 27, ele comeu siri e caranguejo, embora soubesse que era alérgico a camarão. Gomes começou com coceira no ouvido, passou a ter dificuldade para respirar e ficou roxo. Cerqueira estima que a morte ocorreu menos de uma hora depois do consumo dos crustáceos. Entre a ingestão e o início do agravamento, transcorreram cerca de dez minutos.
O Ministério da Saúde registrou 40 mortes por alergia no país de janeiro a junho. Desde 2022, foram 499 óbitos. Também aumentaram os atendimentos relacionados a alergias no Sistema Único de Saúde: foram 30,9 milhões em 2022, 44,5 milhões no ano passado e 24 milhões apenas na primeira metade de 2026.
Como as alergias surgem
A alergia é uma resposta exagerada do sistema imunológico a substâncias que normalmente são consideradas inofensivas. Alimentos, ácaros, pelos de animais e remédios estão entre os possíveis desencadeadores. O problema pode aparecer na infância ou na vida adulta, influenciado por predisposição genética, estilo de vida e exposição ambiental.
A investigação costuma começar depois de um episódio compatível com alergia. Os exames podem incluir coleta de sangue e teste cutâneo. Há ainda o teste de provocação oral supervisionado, feito em ambiente hospitalar equipado, no qual o alérgeno é administrado em doses progressivas para confirmar ou descartar a hipersensibilidade.
Rinite, asma, dermatite atópica e urticária estão entre os quadros recorrentes. Nas alergias alimentares, leite de vaca, ovos, amendoim, castanhas ou nozes, trigo, soja, peixes, crustáceos e gergelim respondem por mais de 90% das reações causadas por alimentos, conforme os estudos citados por especialistas.
A Organização Mundial da Saúde estima que cerca de 30% da população mundial tenha algum tipo de alergia. A previsão é que esse percentual chegue a 50% até 2050.
O que fazer para reduzir os riscos
A recomendação central é evitar completamente o alérgeno. Mesmo pequenas quantidades podem desencadear uma reação, porque o sistema imunológico reconhece a substância causadora do problema.
Na anafilaxia, a adrenalina é a principal medida para interromper a crise. O medicamento pode ser aplicado por meio de uma caneta pressionada contra a coxa. Médicos recomendam que pessoas alérgicas carreguem o remédio, mas o produto não é fabricado no país e precisa ser importado. O custo pode chegar a R$ 2 mil por duas canetas. No SUS, a adrenalina está disponível para emergências como solução injetável em ampola, aplicada por profissionais de saúde.
Pessoas com alergia alimentar devem ler os rótulos sempre, inclusive de produtos já conhecidos, porque a composição pode mudar. Ao comer fora, é preciso informar a equipe do estabelecimento e perguntar sobre o preparo, incluindo o uso compartilhado de óleo, talheres e utensílios. Esses cuidados ajudam a evitar a contaminação cruzada.
Quando houver dúvida sobre a presença de algo que possa causar reação, a orientação é não consumir. No Brasil, estimativas epidemiológicas indicam que a anafilaxia representa até 0,26% das internações clínicas gerais, embora especialistas afirmem que muitos casos não sejam notificados.



