A Anvisa determinou, na última sexta-feira (11), que sejam apreendidos todos os lotes de produtos com berberina comercializados sem registro, notificação ou cadastro na agência. A decisão também proíbe a fabricação, importação, distribuição, divulgação, venda e uso desses itens.
A berberina é um composto presente em plantas como Hydrastis canadensis e espécies do gênero Berberis. A substância é usada há séculos na medicina tradicional asiática e passou a ser divulgada nas redes sociais como “Ozempic natural”.
Especialistas afirmam que existem estudos sobre possíveis efeitos da berberina na glicemia, no colesterol e em outros parâmetros metabólicos, mas as evidências sobre perda de peso ainda são limitadas. Melinda Ring, especialista em medicina integrativa da Northwestern Medicine, disse que o interesse científico existe, mas classificou como “exagerado” o entusiasmo nas redes sociais sobre o potencial de emagrecimento.
Craig Hopp, vice-diretor de uma divisão do Centro Nacional de Saúde Complementar e Integrativa dos Estados Unidos, afirmou que há alguma plausibilidade para um efeito sobre o peso, principalmente com base em pesquisas preliminares e modelos animais. Segundo ele, ainda faltam ensaios clínicos robustos em humanos.
A comparação com o Ozempic ganhou força pela procura de alternativas aos medicamentos para perda de peso. Fabricado pela Novo Nordisk, o remédio contém semaglutida, da classe dos agonistas do receptor de GLP-1, e atua na regulação da glicose e do apetite. A berberina tem mecanismos diferentes e não é uma versão natural da semaglutida.
A substância também pode alterar a concentração de determinados medicamentos no sangue. A combinação com a metformina, usada no tratamento do diabetes tipo 2, pode aumentar o efeito do remédio e o risco de hipoglicemia. Yufang Lin, especialista em medicina integrativa na Cleveland Clinic, alertou que considerar uma substância necessariamente segura por ser natural pode levar à subestimação de riscos e interações.
Outras medidas da resolução
A mesma resolução determinou a apreensão dos lotes do Soll*Q – 75, nas versões de 180, 360 e 720 cápsulas, com concentrações de 300 mg e 150 mg. Fabricado pela Métodos Quantumbio Distribuidora e Serviços como item da Medicina Tradicional Chinesa, o produto era vendido diretamente ao consumidor sem exigência de prescrição ou dispensação por profissional habilitado. A Anvisa também identificou alegações de finalidade terapêutica na divulgação.
A agência determinou ainda o recolhimento de lotes do cloridrato de dobutamina, produzido pela Hypofarma. O medicamento apresentou desvio de qualidade, com precipitados, partículas suspensas, cristalização e alterações de cor em ampolas íntegras e/ou após a diluição.
Também foi suspensa a propaganda de todos os produtos manipulados divulgados no site da Pharmes, marca da empresa Lupatini e Pinheiro Instituto de Manipulação Ltda.



