O Tribunal Superior do Trabalho (TST) determinou, em decisão liminar no sábado (12), que os Correios mantenham 80% dos trabalhadores em cada unidade ou estabelecimento durante a greve. A ordem vale para áreas de atendimento, tratamento, transporte, distribuição, administração e suporte consideradas indispensáveis à cadeia postal.
A Findect informou que a paralisação nacional continua por tempo indeterminado e que não há previsão de encerramento neste momento. A greve começou na noite de quinta-feira (10), depois que os trabalhadores rejeitaram a proposta apresentada pela empresa nas negociações do acordo coletivo. De acordo com a federação, 35 assembleias aprovaram o movimento.
Os Correios recorreram ao TST na última sexta-feira (11), com um pedido de dissídio coletivo. A empresa quer que o tribunal declare a greve abusiva e determine, em caráter de urgência, a continuidade dos serviços. A legalidade da paralisação e as reivindicações dos trabalhadores ainda serão analisadas.
O julgamento do dissídio coletivo foi marcado para 21 de setembro, às 13h30. Até essa data, Correios e trabalhadores ainda podem firmar um acordo.
Para manter o funcionamento da operação, a estatal acionou o Plano de Continuidade de Negócios. As medidas incluem o deslocamento de empregados administrativos para atividades operacionais, a redistribuição de veículos e a organização de mutirões voltados à preservação do fluxo logístico. A empresa afirma que as agências continuam abertas ao público.
Negociações e situação financeira
O plano de saúde de funcionários, aposentados e dependentes é o principal ponto de desacordo entre as partes. Os Correios dizem que sua proposta preservava 78 das 80 cláusulas do acordo coletivo, previa a aplicação do INPC aos salários e benefícios e mantinha a assistência à saúde.
A estatal também afirma que respeita o direito de greve, mas classifica sua situação econômico-financeira como desafiadora. Entre as prioridades declaradas estão cortar despesas, elevar a eficiência, modernizar a operação e criar novas receitas.
No segundo trimestre, os Correios tiveram prejuízo de R$ 2,4 bilhões. Como parte do plano de reestruturação financeira, a empresa pediu garantia do Tesouro Nacional para tomar um novo empréstimo de R$ 7 bilhões com bancos privados.



