O Tribunal Superior do Trabalho (TST) adiou para a próxima quinta-feira (24) o julgamento sobre a greve dos Correios. A paralisação, iniciada no dia 10, deve continuar até a retomada da sessão.
A suspensão foi determinada pelo ministro Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, presidente do TST e da Seção de Dissídios Coletivos. Os Correios apresentaram documentos com pedido para que a greve seja considerada abusiva. Se o pedido for aceito, as entidades que representam os trabalhadores poderão receber multa de R$ 200 mil.
A decisão de interromper a análise ocorreu depois que a estatal entregou a documentação durante a sessão desta segunda-feira (21). O ministro afirmou que os advogados da federação e das confederações de trabalhadores precisam de tempo para examinar o material.
"Estaríamos em desapreço ao devido processo legal porque estaríamos fundamentando uma decisão em documentos não examinados pela parte contrária", disse Vieira de Mello Filho.
Relatório e reivindicações
Antes da suspensão, a ministra relatora, desembargadora Maria de Nazaré Medeiros Rocha, apresentou o relatório do caso. Ela confirmou a data-base da categoria, considerou o movimento grevista não abusivo e pediu a compensação dos dias parados.
A relatora também havia determinado que os trabalhadores retornassem às atividades nesta terça-feira (22), caso houvesse acordo entre as partes durante o julgamento. Com a interrupção da sessão, a orientação da federação dos trabalhadores é que a categoria permaneça em greve até a nova análise do TST.
A legalidade da paralisação e as reivindicações dos empregados dos Correios ainda serão examinadas. O principal ponto de divergência nas negociações é o plano de saúde de funcionários, aposentados e dependentes.
Uma liminar da Justiça determina que 80% do efetivo seja mantido em cada unidade ou estabelecimento dos Correios durante a greve. Ainda assim, há relatos de consumidores e pequenos vendedores sobre encomendas fora do prazo informado, falta de atualização no rastreamento e demora em pedidos de reembolso do frete.
Os Correios informaram anteriormente que adotaram medidas para manter os serviços e reduzir impactos aos clientes, incluindo remanejamento de equipes, reforço das atividades operacionais e ações logísticas para preservar a regularidade das entregas em todo o país. A Findect orientou os trabalhadores das bases dos sindicatos filiados a continuar parados até o novo julgamento.



