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Medicamentos já respondem por 22,3% das perdas com roubo de cargas

Produtos oncológicos e imunossupressores passaram a atrair organizações criminosas pelo alto valor, demanda e dificuldade de rastreamento.

Medicamentos já respondem por 22,3% das perdas com roubo de cargas
Foto: Divulgação/PCERJ

Um roubo de medicamentos oncológicos ocorrido em 31 de janeiro, na Linha Vermelha, no Rio de Janeiro, expôs a atuação de organizações criminosas em um mercado clandestino de produtos de alto valor. O furgão transportava R$ 971,7 mil em remédios quando foi interceptado por um Jeep branco, próximo ao aeroporto do Galeão.

O motorista foi rendido por um homem armado e levado até o Complexo da Maré. Cerca de 15 homens encapuzados retiraram aproximadamente 40 isopores de medicamentos em cerca de dez minutos. Antes de ser liberado, ele recebeu uma proposta para fornecer informações sobre outras cargas, mas recusou.

A investigação levou à operação Metástase, realizada pela Polícia Civil em julho contra uma organização suspeita de roubar medicamentos oncológicos e imunossupressores. A polícia apura a possível revenda dos produtos com apoio armado do Terceiro Comando Puro.

Participação nas perdas

Os medicamentos passaram a representar uma parcela maior dos prejuízos com roubos de carga. No primeiro trimestre de 2026, foram responsáveis por 22,3% das perdas registradas nas operações acompanhadas pelas gerenciadoras de risco BRK, Buonny e Opentech, em levantamento da Nstech. No mesmo período de 2025, a participação era de 1,7%.

Nas cargas avaliadas em mais de R$ 1 milhão, que concentraram 40,4% do prejuízo medido no trimestre, os medicamentos responderam por 44,4% do total.

O delegado Luiz Eduardo Moura, da Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas, afirmou que os remédios se diferenciam de eletrônicos e cigarros pelo valor concentrado em pouco espaço. “Um caminhão carregado desse tipo de medicamento pode valer, em poucos metros cúbicos, o equivalente a dezenas de caminhões de eletrônicos ou centenas de caminhões de cigarro”, disse.

Um frasco de Keytruda pode custar entre R$ 12.800 e R$ 17.000. Na base consolidada da investigação, uma unidade de Calquence foi avaliada em R$ 34.546,91.

Outro fator é a existência de compradores dispostos a pagar o preço de mercado, como hospitais, cooperativas médicas e pacientes em tratamento. A investigação também considera a possibilidade de reinserção dos produtos no mercado formal por meio de distribuidoras de fachada e notas fiscais falsas.

Rastreabilidade e repressão

A lei de 2022 extinguiu o banco de dados centralizado mantido pela Anvisa sobre a movimentação de medicamentos no país. A responsabilidade pelo rastreamento passou aos laboratórios, que devem manter sistemas próprios com informações sobre fabricação, validade e destinatários das remessas.

Para Camilo Carvalho, presidente do Conselho Regional de Farmácia do Estado do Rio de Janeiro, a ausência de comunicação centralizada dificulta acompanhar a circulação dos produtos. “Com isso, o modelo de rastreabilidade que previa o acompanhamento eletrônico das movimentações de cada medicamento ao longo da cadeia não está em vigor”, afirmou.

Durante a operação Metástase, policiais encontraram quimioterápicos, insulinas e antibióticos armazenados de forma irregular. A polícia suspeita que os medicamentos fossem encaminhados ao mercado por empresas intermediárias. Uma delas apresentou proposta de R$ 36,25 mil ao Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba. O caso continua sob investigação.

O Instituto de Segurança Pública contabilizou 2.035 roubos de carga no estado entre janeiro e agosto de 2026, alta de 3% ante o mesmo período de 2025. Cinco áreas concentraram 60,88% dos registros, em um corredor que inclui Duque de Caxias, a Baixada Fluminense, a zona norte e a Maré.

A Secretaria de Estado de Segurança Pública do Rio de Janeiro informou que, desde 1º de setembro, o estado participa da operação Divisas, coordenada pela Senasp nas fronteiras com Espírito Santo, Minas Gerais e São Paulo. Entre 1º e 13 de setembro, foram abordados 3.068 veículos e 4.169 pessoas, além da apreensão de 842 litros de bebidas alcoólicas sem procedência.

O CRF/RJ informou que não recebeu comunicação sobre casos concretos de medicamentos roubados identificados em tentativas de revenda a hospitais no Rio de Janeiro ou em outros estados.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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