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Dateability reúne pessoas com deficiência em busca de relacionamentos

Aplicativo lançado em 2022 chegou a 65 mil usuários e permite que pessoas informem condições de saúde nos perfis.

Dateability reúne pessoas com deficiência em busca de relacionamentos
Foto: Nolis Anderson/NYT

O Dateability, aplicativo de relacionamento voltado a pessoas com deficiência e condições crônicas de saúde, alcançou 65 mil usuários neste mês, quase o dobro da base registrada desde 2025. A plataforma foi criada para facilitar conexões entre pessoas que enfrentam desafios semelhantes em encontros e relacionamentos.

Andres Rodriguez e Ellen Froliklong se conheceram pelo aplicativo na véspera de Natal do ano passado. Eles conversaram até 4h da manhã. Rodriguez usa cadeira de rodas por causa de uma doença que provoca perda muscular. Froliklong, 33, está em tratamento depois de uma crise de saúde mental que se estabilizou.

Ela disse que havia evitado aplicativos convencionais após o surgimento de sua doença. Froliklong recebe benefício por incapacidade e se sentia desconfortável com a ênfase nas carreiras. Também temia ser vista como danificada demais. Rodriguez mora com os pais e afirmou nunca ter tido um relacionamento sério.

Para Froliklong, um dos atrativos da plataforma é saber previamente que os demais usuários têm alguma deficiência. Atualmente, ela viaja de sua casa em Cleveland a Chicago duas vezes por mês para encontrar Rodriguez.

Experiências em outros aplicativos

Usuários relataram que chegaram ao Dateability depois de encontros desconfortáveis com pessoas sem deficiência ou de relacionamentos em que parceiros demonstraram pouca paciência com suas condições de saúde.

Jessica Stewart, 29, de Harrison, em Nova Jersey, conheceu o parceiro pelo aplicativo. Ela tem uma condição congênita rara que afeta os sistemas digestivo e reprodutivo, não pode ter filhos e usa uma bolsa de colostomia. Segundo Stewart, pessoas com quem conversava em outras plataformas desapareciam quando ela mencionava problemas de saúde.

Collin LaFon, 28, que tem paralisia cerebral e usa cadeira de rodas, disse que se sentia em desvantagem ao disputar a atenção de outras pessoas em aplicativos convencionais. Lori Adams, 31, de Van Buren, no Arkansas, afirmou que homens perderam o interesse ao saber que ela não podia ter filhos.

Pesquisas indicam que pessoas com deficiência têm menor probabilidade de se casar do que pessoas sem deficiência. Estudos também registraram que jovens adultos relutam em se relacionar com pessoas com deficiência, especialmente nos casos de deficiências intelectuais e do desenvolvimento.

Rhoda Olkin, psicóloga que teve poliomielite e usa cadeira de rodas, afirmou que pessoas sem deficiência que se casam com alguém com deficiência muitas vezes são tratadas como cuidadoras. Robyn M. Powell, professora-assistente de direito na Stetson University, em Gulfport, na Flórida, disse que o valor levado pela pessoa com deficiência ao relacionamento costuma não ser reconhecido.

Ayesha Elaine Lewis, advogada sênior da Disability Rights Education & Defense Fund, afirmou que cerca de 8 milhões de americanos com deficiência podem perder a elegibilidade para programas federais de benefícios em dinheiro ou sofrer cortes expressivos nesses pagamentos se se casarem ou passarem a morar com um parceiro. O casamento também pode ameaçar o acesso ao seguro de saúde pública e a serviços de atendimento em casa.

Criação e funcionamento

O Dateability foi idealizado por Jacqueline Child, 32, e sua irmã, Alexa Child. A ideia surgiu durante a pandemia de Covid, depois de Jacqueline ter experiências negativas em aplicativos convencionais. As duas lançaram a plataforma em 2022, com aplicativos para celular e uma versão para navegador acessível a pessoas com deficiência visual ou destreza manual limitada.

Os usuários podem informar suas condições de saúde nos perfis escolhendo itens de uma lista ou digitando os dados. Pessoas saudáveis e sem deficiência também podem participar, segundo Alexa Child. A proposta não é restringir os relacionamentos entre pessoas com deficiência, mas ampliar as possibilidades de conexão.

A plataforma já levou a pelo menos um casamento: o de LaFon e Kaci LaFon, que tem uma doença hereditária do tecido conjuntivo. Eles deram match em maio de 2024, ficaram noivos em novembro daquele ano e se casaram em setembro passado.

O casal mora perto de Birmingham, no Alabama, e deseja ter uma casa em Atlanta. Também planeja viajar para França e Irlanda e afirma que gostaria de ter filhos, possivelmente por meio de uma barriga de aluguel.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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