Produtos de estrogênio aplicados na vagina podem aliviar ressecamento, dor nas relações sexuais e infecções do trato urinário associadas à menopausa. As opções incluem cremes, anéis e comprimidos inseridos na vagina. Os sintomas também podem surgir nos anos anteriores à última menstruação, durante a perimenopausa.
A chamada síndrome geniturinária da menopausa ocorre com a queda natural do estrogênio na meia-idade. Com menos hormônio, o tecido vaginal pode ficar mais seco e fino, tornando dolorosos tanto o sexo quanto contatos leves com a vulva. Também podem aparecer urgência ou aumento da frequência urinária. A redução da acidez vaginal e das bactérias benéficas facilita a proliferação de bactérias nocivas.
O estrogênio aplicado localmente pode aumentar a umidade e a elasticidade da vagina, aliviar a dor pélvica e reduzir infecções urinárias. Um estudo recente associou o uso do tratamento, entre mulheres com infecções recorrentes, a taxas menores de sepse, hospitalização e morte. A pesquisa, porém, não comprovou relação de causa e efeito. Elise De, uma das autoras, observou que as pacientes que receberam o medicamento rapidamente poderiam ter, de modo geral, acesso a melhores cuidados médicos.
Quem pode se beneficiar
Especialistas afirmam que o tratamento é indicado para mais mulheres do que as que atualmente o recebem. Um estudo com mais de 1 milhão de beneficiárias do Medicare mostrou que apenas 9% das pacientes com um diagnóstico indicativo da síndrome haviam obtido prescrição de estrogênio vaginal. Outra pesquisa, com mais de 2,8 milhões de pacientes, apontou que 71% não receberam tratamento.
Para Stephanie Faubion, diretora do Centro de Saúde da Mulher da Mayo Clinic e diretora médica da Sociedade de Menopausa, “A grande maioria das mulheres americanas está recebendo tratamento insuficiente”. O acesso aos serviços de saúde e a dificuldade de reconhecer os sintomas estão entre os fatores citados por especialistas.
A decisão depende das circunstâncias de cada paciente, mas especialistas consideram o estrogênio vaginal seguro para a grande maioria das mulheres. Nas pequenas doses geralmente prescritas, pouca quantidade chega à corrente sanguínea, e o hormônio permanece principalmente no tecido vaginal. Quando ocorrem, os efeitos colaterais costumam ser leves, como irritação da pele e candidíase no início do tratamento.
Especialistas também afirmam que o aumento do risco de coágulos sanguíneos associado a algumas formas de estrogênio sistêmico não ocorre com o estrogênio vaginal. Pacientes em tratamento contra cânceres sensíveis ao estrogênio podem não ser boas candidatas, embora a maioria das pessoas que concluiu o tratamento possa usar a terapia. Nesses casos, comprimidos ou anéis podem ser escolhidos para permitir maior controle da dosagem.
Uso preventivo
Não há pesquisas suficientes para determinar se o estrogênio vaginal deve ser usado por pacientes sem sintomas. Seriam necessários ensaios clínicos randomizados e controlados para avaliar essa possibilidade. Especialistas, contudo, afirmam que o tratamento pode trazer benefícios quando iniciado nos primeiros sinais de alteração.
Sarah Cigna, da Universidade George Washington, disse que recomenda o estrogênio vaginal ao identificar mudanças no tecido durante o exame físico “para evitar que a situação evolua até causar disfunção”.



