SÃO PAULO — A escritora Helena Lopes, 30, criou “Ignis Lacrimosa” a partir da ideia de um casamento imposto entre uma bruxa e um alquímico de povos rivais. Na fantasia para jovens adultos, a união entre os protagonistas Zália e Astero tenta encerrar uma guerra e selar a paz entre os dois reinos.
O livro combina magia, sensualidade, disputas políticas e criaturas sobrenaturais. A primeira versão foi escrita em dois meses e meio e lançada de forma independente em 2025. Depois de ganhar popularidade nas redes sociais, a obra recebeu uma nova edição pela Rocco durante a Bienal do Livro de São Paulo 2026, quando alcançou o top 7 dos mais vendidos.
“O livro surgiu de uma epifania. E depois disso, virou uma sensação nas redes sociais, o que foi realmente inesperado”, afirmou Helena.
Duas formas de compreender o mundo
Na história, os bruxos relacionam a magia às emoções, enquanto os alquímicos consideram a ciência e a lógica como principais caminhos para o conhecimento. Esse conflito cultural orienta a relação entre a princesa bruxa Zália e o príncipe alquímico Astero, que precisam conviver com as diferenças de seus povos por causa do casamento.
A autora diz que seu interesse pelas bruxas também está ligado à forma como enxerga a autonomia feminina. “Sempre tive um fascínio por bruxas. Para mim, elas são uma alegoria muito importante da autonomia feminina”, declarou.
Helena nasceu e viveu em São Luíz do Anauá, em Roraima, e depois se mudou para Londres, onde vive com o marido. A adaptação a um ambiente percebido por ela como mais frio e distante contribuiu para a criação de comunidades com costumes e crenças diferentes.
O título faz referência a um rio fictício que atravessa o território dos dois povos e participa de acontecimentos centrais da trama. Para a escritora, a imagem pode ter relação com a natureza presente no local onde cresceu. Na narrativa, o rio é um espírito mágico associado a conflitos entre as comunidades.



