São Paulo, Terça-feira, 22 de setembro de 2026
Dólar R$ 5,11 · Euro R$ 5,86 · Ibovespa 186.596 -0,00%
A economia explicada todos os dias
Brasil

Mamíferos ameaçados repetem rotas para reduzir riscos de caça

Estudo mostra que macacos-prego e elefantes mudam a navegação em áreas de risco e podem afetar o equilíbrio dos ecossistemas.

Mamíferos ameaçados repetem rotas para reduzir riscos de caça
Foto: Folhapress

Mamíferos ameaçados de extinção estão alterando a forma de se deslocar em áreas onde há riscos ligados à atividade humana. Um estudo internacional identificou que macacos-prego-do-peito-amarelo no Brasil e elefantes-africanos no Zimbábue passam a repetir trajetos conhecidos em vez de testar novos caminhos.

Publicado em junho na revista Scientific Reports, o trabalho indica que o uso de rotas familiares reduz o esforço mental envolvido na navegação. Com isso, os animais podem concentrar a atenção na vigilância do ambiente e reagir mais rapidamente à presença de caçadores ou a outros perigos.

“Nossos estudos sugerem que algumas espécies optam por estratégias de navegação que demandam menos atenção ao caminho em si”, afirmou Andrea Presotto, professora da East Carolina University e primeira autora do artigo.

Como o risco altera os deslocamentos

Os pesquisadores acompanharam dez elefantes-africanos por meio de coleiras que transmitiam sua localização em Victoria Falls, no Zimbábue. Também monitoraram um grupo de macacos-prego-do-peito-amarelo, com 32 e 37 indivíduos, na Reserva Biológica de Una, no sul da Bahia. Os primatas foram seguidos durante dois anos, com localização georreferenciada por GPS.

No caso dos macacos, os locais considerados mais perigosos incluíam áreas onde já haviam ocorrido eventos traumáticos. Os elefantes evitavam mudar de rota em regiões onde a caça é permitida ou onde existem conflitos com humanos, como lavouras e cidades. Eles também podiam escolher caminhos mais difíceis, como brejos e rios, por serem menos acessíveis aos caçadores.

A chamada paisagem do medo corresponde à percepção de risco associada a cada parte do ambiente. Patricia Izar, professora do Departamento de Psicologia Experimental do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo e coautora do estudo, explicou que alguns locais são percebidos como mais seguros e outros como perigosos devido à possibilidade de encontro com predadores ou caçadores.

Efeitos sobre o ambiente

A concentração dos animais em poucos trajetos pode alterar serviços ecossistêmicos. Ao evitar determinadas rotas, os elefantes deixam de modificar o solo com o pisoteamento e de distribuir nutrientes e sementes por meio das fezes. Quando se concentram nos mesmos caminhos, também podem dificultar a regeneração da vegetação nesses locais.

Os macacos-prego-do-peito-amarelo podem deixar de dispersar sementes nas áreas que evitam por medo de serem caçados. Segundo os pesquisadores, essas mudanças defensivas também ameaçam a transmissão de comportamentos entre gerações, como técnicas para obter alimento e formas próprias de vocalização.

Izar afirmou que a transformação do habitat reduz a diversidade de comportamentos e culturas animais. No caso dos macacos-prego, a ocupação humana pode uniformizar tanto os ambientes quanto as culturas associadas a eles.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Assine nossa newsletterAs principais notícias do dia no seu e-mail.