SERRA DO NAVIO — Registros feitos no município, no noroeste do Amapá, mostram cinco animais raros ou curiosos do bioma Amazônia. A lista reúne espécies que se destacam pela aparência, pela coloração ou pelo comportamento, incluindo uma ocorrência inédita para a ciência brasileira.
Cerca de 73% do território do Amapá é formado por unidades de conservação, áreas protegidas, territórios indígenas e quilombolas. A cobertura ambiental preservada favorece a existência de animais que raramente são vistos na natureza.
Espécies registradas
A perereca-de-vidro (Cochranella resplendens) tem pele translúcida, que permite observar parte dos órgãos internos, e mede entre 2 e 5 centímetros. Pesquisadores da Universidade Federal do Amapá (Unifap), com apoio do guia e fotógrafo Wirley Almeida, registraram a primeira ocorrência da espécie no Brasil. Antes disso, o animal era conhecido no Equador, na Colômbia e no Peru.
Wirley encontrou o animal no quintal de casa, em 2020. Após enviar a imagem a um professor, uma equipe com cerca de 30 alunos foi a Serra do Navio e procurou a espécie por dois dias até coletar seu DNA. “Eu encontrei em 2020 e tirei foto, enviei para um professor especialista da área aqui no estado”, contou o fotógrafo.
A rã-kambô (Phyllomedusa bicolor) apareceu em um registro de amplexo múltiplo, comportamento reprodutivo em que mais de um macho se prende à mesma fêmea. O fenômeno é mais comum nos meses de chuva.
Com cerca de cinco milímetros, a cigarrinha-ninfa, da família Fulgoromorpha, desenvolve estruturas de cera na parte traseira durante a fase juvenil. Os fios podem se romper quando um predador ataca, permitindo a fuga do inseto. Uma das primeiras aparições foi registrada em 2012, no Suriname.
A cobra-cega, da família Typhlopidae, vive sob a terra, entre folhas ou em matéria orgânica. Por ter corpo cilíndrico e poucos centímetros, pode ser confundida com uma minhoca. Já a lagarta-cristal, da família Dalceridae, tem corpo translúcido, com tons de âmbar e laranja, e mede cerca de 1 a 2 centímetros. Depois da fase de lagarta, transforma-se em uma mariposa.



