SÃO PAULO — O arquiteto Jeronimo Bonilha Esteves morreu em 17 de setembro, aos 92 anos, de causas naturais. Viúvo, deixou 3 filhas, 2 genros, 1 neta e 2 netos.
Bonilha Esteves foi chefe do escritório do arquiteto francês Jacques Pilon em São Paulo e trabalhou com nomes como o urbanista Jorge Wilheim. Entre seus projetos, estão o Sesc Vila Mariana, o terminal de ônibus urbanos do Jabaquara, o Senac Santana e a antiga sede do Banco Hipotecário Lar Brasileiro.
Projeto do Sesc Vila Mariana
A unidade do Sesc Vila Mariana, na zona sul paulistana, foi criada em parceria com Luciana Esteves, filha do arquiteto e sua ex-sócia. O espaço foi inaugurado em 1997 e recebeu um prêmio do IAB-SP (Instituto de Arquitetos do Brasil) em 1998.
O projeto aproveitou um terreno estreito e com desnível para organizar duas torres, com ambientes parcialmente abertos e um grande vão atravessado por uma passarela de aço. A proposta previa que os usuários pudessem visualizar diferentes atividades do prédio.
“Foi muito gratificante para ele”, disse Luciana. Em entrevista à revista do Sesc em 2005, Bonilha Esteves afirmou: “da lanchonete se veem as piscinas, das quadras você enxerga o teatro”.
A concepção teve inspiração parcial no Sesc Pompeia, projetado por Lina Bo Bardi e instalado no local de uma antiga fábrica. No caso da Vila Mariana, o endereço abrigava uma fábrica de lustres, mas a estrutura não foi mantida.
Formação e outros projetos
Nascido em Garça, no interior paulista, Bonilha Esteves cresceu em fazendas de café administradas por seu pai, descendente de imigrantes espanhóis. Aos 20 anos, segundo Luciana, foi aprovado em primeiro lugar entre os candidatos a uma vaga na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP (Universidade de São Paulo).
Ele também projetou a Capela da Colônia Francesa, ligada ao colégio Liceu Pasteur e hoje integrante da paróquia Pessoal Francesa São Francisco de Sales. O trabalho é associado à aplicação do modernismo na arquitetura religiosa.
Por anos, passou os fins de semana com a família em um sítio em Araçoiaba da Serra, onde projetou a própria casa e plantou árvores. “Esse era o seu lazer”, disse Luciana.
Em nota de pesar, o IAB-SP afirmou que o arquiteto “Construiu uma trajetória relevante na arquitetura paulista”.



