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MP aponta articulação antes da posse em concessão do lixo de Bauru

Documentos indicam que Cilene Bordezan discutia a concessão antes de assumir a Secretaria Municipal do Meio Ambiente.

MP aponta articulação antes da posse em concessão do lixo de Bauru
Foto: TV TEM/Reprodução

Documentos do Ministério Público indicam que Cilene Bordezan já participava de articulações sobre a concessão do sistema de resíduos sólidos de Bauru antes de assumir a Secretaria Municipal do Meio Ambiente. A ex-secretária integrava um grupo de WhatsApp criado para discutir o projeto, segundo os registros analisados pelo órgão.

O grupo “Concessão Bauru” foi criado em 21 de fevereiro de 2025 e reunia três pessoas. A nomeação de Cilene para a pasta ocorreu em 31 de março do mesmo ano, pela prefeita Suellen Rosim (PSD). Para os promotores, as conversas mostram que ela tratava do tema antes de ter atribuição oficial e indicam uma possível relação entre sua ida ao cargo e a estruturação da concessão.

Menções à prefeita e à vereadora

Suellen Rosim aparece em trechos de conversas entre Cilene e Hamilton Libório Agle. O Ministério Público afirma que a prefeita não é investigada e que seu nome foi citado apenas em diálogos mantidos por terceiros investigados. O relatório registra: “Constatou-se a citação pontual do nome da Excelentíssima Prefeita Municipal de Bauru/SP, Suéllen Rosim, em conversas mantidas exclusivamente por terceiros investigados”.

Em uma das conversas, Hamilton fala sobre entregar um “trofeuzinho” à prefeita. Cilene orienta que a entrega seja feita pessoalmente, e o executivo menciona um possível encontro no dia 12, em São Paulo. Em outro diálogo, eles discutem presentes para a prefeita e para seu filho. Na transcrição, quando Hamilton menciona um “presentinho”, Cilene ri e faz referência a dinheiro.

As conversas também citam a vereadora Estela Almagro (PT). Em um diálogo, Cilene e Hamilton comentam que o executivo pagaria o aluguel de um apartamento ocupado pela parlamentar. A assessoria da vereadora não havia se manifestado até a última atualização informada.

A prefeita declarou que não cabe a ela interpretar falas de terceiros das quais não participou. Também afirmou que os autos não a apontam como interlocutora, não apresentam elementos que a envolvam nos fatos e não indicam recebimento de vantagens econômicas.

Investigação e operação

A apuração começou após denúncias de ameaças contra catadores de materiais recicláveis. Sete pessoas foram presas, incluindo dois ex-secretários municipais, Gisele Moretti, ex-presidente da Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis (Ascam), e o marido dela, Valdomiro Pereira da Silva Filho.

A associação tinha contratos com a Prefeitura de Bauru para coleta seletiva e gestão dos ecopontos, que somavam mais de R$ 5 milhões com dispensa de licitação. Segundo a investigação, Valdomiro tinha ligações com uma facção criminosa e antecedentes por tráfico de drogas. A apuração também apontou Gisele como articuladora de um suposto desvio de verbas na entidade.

Conversas interceptadas mencionaram cobranças de propina, “pensões” de R$ 80 mil e valores de até R$ 100 milhões relacionados ao edital do lixo. O processo foi suspenso pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) após denúncias de irregularidades.

O monitoramento levou o Gaeco a identificar, em 11 de maio, a participação de outros investigados, entre eles Cilene e Hamilton. A Operação Cavalo de Troia apura suspeitas de fraude em licitação, corrupção ativa e passiva, advocacia administrativa, falsidade ideológica e associação criminosa.

A licitação previa contrato de 30 anos, com valor global estimado em R$ 5.259.651.116,06. O Ministério Público afirma que a operação investiga a atuação de pessoas ligadas à Secretaria Municipal do Meio Ambiente e à empresa que seria beneficiada, com possível direcionamento das regras da disputa.

A Prefeitura de Bauru informou que exonerou Cilene Bordezan, Vitor Costa e Sara Moura, além do coordenador Roldão Neto, e nomeou titulares interinos. Também declarou colaborar com o Ministério Público e ter aberto apurações administrativas internas.

A Estre Ambiental afirmou que colabora com as investigações, não participará da licitação e está adotando medidas para se desvincular do processo. O advogado de Gisele disse que a menção ao nome dele foi uma surpresa e afirmou que sua atuação ocorreu dentro dos limites da profissão.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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