O empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, tornou-se alvo da terceira fase da Operação Carbono Oculto, que investiga esquemas de lavagem de dinheiro ligados à máfia dos combustíveis. Dono da Entre Investimentos, ele é apontado como o principal operador financeiro de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro e dono do Banco Master.
A Polícia Federal cumpre mandados de busca em endereços relacionados a Freixo e a executivos do mercado financeiro. Entre os alvos estão Humberto Arthur Tupinambá Neto, diretor do Banco Genial, e os irmãos André e Bruno Tupinambá. Freixo assinou recentemente um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República no âmbito do Caso Master e já era citado em investigações da PF encaminhadas ao Supremo Tribunal Federal.
Relatórios da PF e do Conselho de Controle de Atividades Financeiras descrevem Freixo como alguém que “não é um intermediário financeiro de perfil convencional”. O empresário também era conhecido como “pioneiro nas Bahamas” por sua atuação na montagem de estruturas financeiras offshore no país caribenho.
Remessas e financiamento do filme
Em depoimento, Freixo afirmou ter feito sete remessas internacionais em 2025, no total de US$ 12,3 milhões, para o fundo Havengate, sediado nos Estados Unidos. Administrado por Paulo Calixto, próximo de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), o fundo foi usado para financiar a produção de “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro (PL). Segundo Freixo, os pagamentos foram determinados por Vorcaro.
A PF encontrou no celular de Vorcaro um contrato que previa US$ 24 milhões para a produção, divididos em 14 parcelas. Os valores transferidos pela Entre Investimentos ao Havengate coincidiam com as parcelas do contrato. Em uma conversa interceptada, Vorcaro orientou que os pagamentos fossem feitos “via Entre”. Flávio Bolsonaro (PL-RJ) também é investigado pelo STF por diálogos sobre pedidos de recursos a Vorcaro para o filme.
Suspeitas no Brasil e nas Bahamas
O Ministério Público do Estado de São Paulo afirma que Freixo ganhou 570 vezes na loteria entre janeiro de 2020 e junho de 2025, acumulando R$ 176 milhões. A suspeita é de que os prêmios tenham integrado uma rede para lavar dinheiro de clientes.
Relatórios do Coaf apontam ainda que Vorcaro movimentou US$ 89,6 milhões, cerca de R$ 455 milhões, nas Bahamas entre janeiro de 2024 e dezembro de 2025. A PF pediu ao STF um inquérito específico sobre lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e crimes relacionados ao financiamento internacional do filme.



