BONN — Centenas de periquitos verdes cruzam diariamente o céu de cidades do oeste da Alemanha, como Colônia e Bonn, no fim da tarde. As aves são periquitos-de-colar (Psittacula krameri), espécie originária da África e da Ásia que se estabeleceu em várias cidades da Europa Central.
O nome da espécie faz referência ao anel escuro presente ao redor do pescoço dos machos. De acordo com o ornitólogo Matthias Overmann, da Naturschutzbund Deutschland, as primeiras populações na região do rio Reno teriam surgido a partir de aves que escaparam do zoológico de Colônia e de propriedades particulares nas décadas de 1960 e 1970.
Da mesma família dos papagaios, os periquitos-de-colar não são migratórios. A capacidade de adaptação, os microclimas urbanos e os invernos mais amenos favorecem a sobrevivência e a reprodução da espécie durante todo o ano. Além da região do Reno, há grupos em cidades do Reino Unido, da Bélgica e da França.
Aves se concentram ao anoitecer
Durante o dia, os periquitos circulam por diferentes bairros em busca de alimento. Ao anoitecer, reúnem-se em árvores específicas para passar a noite. Em Bonn, o encontro diário reúne centenas de aves.
Dados do Grupo de Trabalho de Ornitologia de Bonn registram 2.401 periquitos-de-colar na cidade, localizada no estado alemão da Renânia do Norte-Vestfália. A presença da espécie também aparece em exposições do Museu de História Natural de Bonn, ao lado de aves associadas à fauna local.
Na época de reprodução, entre fevereiro e junho, os periquitos ocupam cavidades abertas por pica-paus em árvores e fachadas de edifícios para construir ninhos. Moradores que se preocupam com danos em suas propriedades têm procurado órgãos ambientais para saber como lidar com as aves.
Ave resgatada vive com família
Uma exceção à dificuldade de observar os periquitos de perto é Ziggy, encontrada debilitada pelo ilustrador Sebastian “Özi” Jenal, morador de Bonn. “Eu a encontrei no meio da ciclovia em um dia de 30°C, completamente desidratada”, contou.
Depois de ser levada para casa, a ave foi diagnosticada com um problema neurológico. Jenal procurou o órgão de Proteção à Paisagem e Meio Ambiente da cidade e obteve autorização para cuidar dela. As autoridades concluíram que Ziggy não conseguiria sobreviver sozinha na natureza porque não voava adequadamente.
A ave passou a viver permanentemente com a família. Segundo Özi, um veterinário informou que os periquitos vivem cerca de 25 anos.



